MPTO denuncia 40 pessoas por fraude em CNHs que envolvia servidores do Detran, autoescolas e profissionais de saúde

MPTO denuncia 40 pessoas por fraude em CNHs que envolvia servidores do Detran, autoescolas e profissionais de saúde
Foto: Reprodução/MP

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) denunciou 40 pessoas acusadas de integrar um esquema de fraude na emissão e renovação de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs).

A denúncia, assinada pela 1ª Promotoria de Justiça de Augustinópolis, aponta a participação de uma rede que envolve servidores do Detran-TO, donos de autoescolas, instrutores, examinadores, médicos e psicólogos.

Os envolvidos são acusados de organização criminosa, inserção de dados falsos em sistema de informações, falsidade ideológica, corrupção passiva e corrupção ativa.

Segundo o promotor de Justiça Elizon de Souza Medrado, a base do grupo operava nas Ciretrans de Augustinópolis, Araguatins e Araguaína, mas o esquema vendia carteiras para candidatos de diversos estados, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rondônia. Muitos dos beneficiários sequer pisavam no Tocantins.

Biometria falsa e técnica da ‘foto de foto’

As investigações, conduzidas pela DERFRVA de Palmas e pela 3ª DEIC de Araguaína, revelaram que o grupo fraudava todas as etapas do processo de habilitação.

Para burlar a fiscalização, os criminosos utilizavam fraudes biométricas e a técnica da “foto da foto”, capturando imagens de fotografias físicas para enganar o sistema de reconhecimento facial.

O esquema funcionava de forma coordenada entre quatro núcleos:

  • Servidores públicos: Abriam os processos de forma irregular e usavam as próprias digitais para simular a presença dos candidatos;

  • Profissionais da saúde: Médicos e psicólogos credenciados emitiam laudos falsos para pessoas ausentes;

  • Centros de Formação de Condutores (CFCs): Autoescolas registravam aulas teóricas e práticas fictícias;

  • Examinadores: Lançavam aprovações em testes de trânsito que nunca foram realizados.

Risco direto à segurança viária

O Ministério Público pediu à Justiça a perda do cargo público de seis servidores lotados nas unidades do Detran envolvidas.

Também foi solicitado o envio de ofícios aos conselhos regionais de Medicina e Psicologia para a abertura de processos ético-disciplinares contra os profissionais de saúde denunciados.

Para o promotor Elizon de Sousa Medrado, a fraude coloca em risco a vida da população.“As fraudes ultrapassam a esfera administrativa e representam risco direto à segurança no trânsito e à fé pública. Ao permitir a emissão irregular de CNHs sem realização de exames médicos, psicológicos, aulas e provas obrigatórias, o esquema comprometia mecanismos essenciais de controle e habilitação de condutores”, destacou o promotor.

A denúncia agora aguarda a análise do Poder Judiciário para que os investigados virem réus no processo.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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