MP questiona interrupção de registros sobre qualidade da água de Palmas no Sisagua desde 2022

MP questiona interrupção de registros sobre qualidade da água de Palmas no Sisagua desde 2022
Foto: Ronaldo Mitt/MPE-TO

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) questionou a Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus) sobre a falta de inserção regular de dados de controle da qualidade da água no Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) desde 2022.

O assunto foi discutido em uma audiência administrativa realizada nesta semana pela 19ª Promotoria de Justiça da Capital.

Apesar da ausência de registros regulares no sistema, a Semus informou que o monitoramento da água não foi interrompido.

Segundo a secretaria, as equipes da Vigilância Ambiental continuam realizando coletas e análises em 36 pontos de Palmas.

O promotor de Justiça Thiago Ribeiro Franco Vilela questionou quais providências estão sendo tomadas para regularizar as informações no Sisagua e como será utilizada a ferramenta WebService, disponibilizada pelo Ministério da Saúde em abril deste ano para permitir a integração automatizada dos dados.

Coletas continuam sendo realizadas

Durante a audiência, a equipe técnica da Semus informou que o WebService ainda não está em funcionamento. Enquanto isso, os dados estão sendo inseridos no Sisagua.

As análises realizadas pela Vigilância Ambiental abrangem cinco parâmetros previstos na Portaria nº 888/2021 do Ministério da Saúde: turbidez, cloro, coliformes totais, Escherichia coli (E. coli) e flúor.

Quando são identificadas inconformidades, as informações são encaminhadas à Agência de Regulação e Fiscalização de Serviços Públicos de Palmas (ARP), responsável pela adoção das medidas cabíveis.

Município quer ampliar pontos de monitoramento

A Semus também apresentou uma proposta para ampliar a fiscalização da qualidade da água em Palmas.

A intenção é aumentar de 36 para 56 os pontos de coleta e análise, com o objetivo de alcançar todos os pontos existentes no município.

O MPTO também questionou os relatórios que deveriam ser enviados pela concessionária responsável pelo abastecimento de água.

Segundo a Semus, os documentos que estavam pendentes, referentes ao período de 2022 a janeiro de 2026, foram encaminhados pela empresa.

Nos casos de atraso no envio dos relatórios, a secretaria informou que notifica a concessionária e a agência reguladora. A aplicação de eventuais sanções cabe à agência, conforme as normas do Ministério da Saúde.

Poços também estão no monitoramento

A audiência tratou ainda das chamadas Soluções Alternativas Coletivas (SACs), que incluem poços artesianos e sistemas de abastecimento utilizados por condomínios.

O MPTO levantou a possibilidade de que a falta de alimentação regular do Sisagua pudesse dificultar a identificação de contaminações ou outras irregularidades. A Semus, porém, afirmou que as coletas e análises continuaram sendo realizadas durante o período.

A secretaria informou ainda que os relatórios enviados pela concessionária estão sendo encaminhados por e-mail, em vez de inseridos diretamente no sistema.

Questionada sobre a existência de laudos que comprovem a qualidade da água analisada no período, a Vigilância Ambiental afirmou possuir os documentos referentes às coletas realizadas e disse que os procedimentos de análise foram mantidos.

A audiência faz parte do acompanhamento realizado pela 19ª Promotoria de Justiça da Capital sobre o Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua) e o funcionamento do Sisagua em Palmas.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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