Após 64 ocorrências, MP cobra fiscalização, multas e apreensão de som após onda de perturbação em cidade do TO

Após 64 ocorrências, MP cobra fiscalização, multas e apreensão de som após onda de perturbação em cidade do TO
Foto: Gerada por IA

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) expediu uma recomendação administrativa à Prefeitura, à Câmara Municipal e à Polícia Militar de Alvorada, no sul do estado, cobrando uma série de medidas integradas para combater a poluição sonora e a perturbação do sossego público.

O documento foi motivado pelo aumento expressivo de ocorrências envolvendo o uso de som automotivo em volumes elevados e ruídos excessivos durante as madrugadas na cidade.

A iniciativa é coordenada pelo promotor de Justiça André Felipe Santos Coelho, que acompanha procedimentos instaurados para avaliar os impactos dos ruídos urbanos na qualidade de vida e na saúde dos moradores de Alvorada.

Entre as principais exigências direcionadas ao Poder Executivo municipal estão a convocação imediata de fiscais de posturas aprovados para atuar em escalas noturnas e de madrugada, além da compra de decibelímetros devidamente calibrados e certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Falta de fiscais e equipamentos na cidade

A Promotoria de Justiça identificou um esvaziamento na estrutura de fiscalização do município. Embora o cargo de fiscal de posturas tenha sido criado pela Lei Municipal nº 1.355/2026, nenhum servidor havia sido nomeado ou empossado para exercer a função até a expedição do documento.

A prefeitura também não dispunha de nenhum aparelho técnico oficial para realizar a medição dos níveis de decibéis.

Dados repassados pela 7ª Companhia Independente da Polícia Militar (7ª CIPM) sustentam a necessidade de intervenção: apenas em 2026, foram registradas 64 autuações ligadas ao uso irregular de som automotivo em Alvorada.

Desse total, 21 casos envolveram veículos com descarga livre (escapamento adulterado) e 10 foram classificados como perturbação direta do sossego. Conforme o levantamento estatístico, a maior concentração de distúrbios ocorre nas faixas horárias entre as 22h e as 4h da manhã.

A recomendação também propõe que os futuros fiscais municipais passem por treinamentos específicos baseados nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e que o município institua plantões nos fins de semana e crie um canal exclusivo para o recebimento de denúncias anônimas.

Donos de bares, conveniências e casas de eventos deverão ser notificados formalmente sobre os limites legais de ruído e a obrigatoriedade de isolamento acústico.

Atualização do Código de Posturas de 1997 e apoio policial

O Ministério Público estendeu as orientações ao Poder Legislativo e às forças de segurança. Ao presidente da Câmara de Vereadores, Douglas Mengoni da Silva, foi sugerida a reforma e atualização do Código de Posturas de Alvorada, documento em vigor desde 1997 e considerado defasado.

A atualização deve prever sanções administrativas progressivas, variando entre multas financeiras, apreensão preventiva de equipamentos e a cassação definitiva de alvarás de funcionamento.

Ao comandante da 7ª CIPM, major Éden Ferreira Morgado, o MPTO recomendou a intensificação do patrulhamento ostensivo nos pontos de maior aglomeração e incidência de denúncias, em especial durante feriados e finais de semana.

A PM também deverá prestar suporte operacional aos agentes de fiscalização da prefeitura e dar continuidade ao preenchimento de Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e autuações de trânsito fundamentadas em abuso sonoro.

Prazos estipulados pela Promotoria

Os órgãos notificados têm o prazo de até 10 dias para responder formalmente ao Ministério Público se acatam ou não os termos descritos na recomendação e apresentar um plano de ação inicial.

Adicionalmente, a Prefeitura de Alvorada recebeu o prazo de 30 dias para remeter à Promotoria um relatório detalhado comprovando as ações tomadas para a estruturação dos serviços de fiscalização urbana.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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