Padrasto é condenado a mais de 37 anos de prisão após enteada filmar abusos no norte do TO

Padrasto é condenado a mais de 37 anos de prisão após enteada filmar abusos no norte do TO
Foto: Imagem gerada por IA

 

Uma ação penal movida a partir de denúncia do Ministério Público do Tocantins (MPTO) resultou na condenação de um homem a 37 anos, cinco meses e nove dias de reclusão pelos crimes de estupro e estupro de vulnerável contra a sua enteada, uma adolescente de 16 anos.

O réu teve a prisão preventiva mantida pelo Poder Judiciário e não terá o direito de recorrer da sentença em liberdade.

O caso ocorreu no município de Colinas e evidenciou as dificuldades enfrentadas por vítimas de violência sexual para serem ouvidas.

Conforme os relatos do processo, a jovem já havia tentado denunciar os abusos em um momento anterior, mas suas declarações iniciais não receberam crédito.

Diante do descrédito, a adolescente planejou uma estratégia com o namorado e instalou um sistema de gravação oculto em seu próprio tablet.

O equipamento eletrônico registrou em vídeo e áudio o momento em que o padrasto cometia o abuso no interior da residência da família.

Com o material em mãos, a jovem conseguiu comprovar o crime e fornecer os subsídios necessários para a responsabilização do agressor.

De acordo com a 1ª Promotoria de Justiça de Colinas, as agressões sexuais foram cometidas entre os meses de setembro e outubro de 2025. O homem se aproveitava dos momentos em que a vítima estava no quarto para cometer os atos libidinosos.

Em 8 de outubro de 2025, o réu acabou sendo detido em flagrante após tentar abusar da adolescente mediante o uso de força física, ato que foi interceptado pelas provas geradas pelo dispositivo da jovem.

Detalhes da condenação e vulnerabilidade da vítima

A dosimetria da pena aplicada pela Justiça dividiu-se em duas sanções principais. O acusado recebeu 15 anos e nove meses de prisão pelo crime de estupro com emprego de violência física e mais 21 anos, os mesmos oito meses e nove dias de reclusão pelo crime continuado de estupro de vulnerável.

O promotor de Justiça Átila Andrade Pádua esclareceu que o enquadramento de estupro de vulnerável, neste processo específico, não se deu em função da idade da jovem, mas sim pela sua impossibilidade de oferecer resistência no momento dos fatos.

O agressor abusava da enteada enquanto ela se encontrava dormindo e sob o efeito de substâncias medicamentosas.

“A legislação penal brasileira prevê que a vulnerabilidade também se configura quando a vítima, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência ao ato libidinoso, o que ocorreu neste caso, em que a adolescente foi abusada enquanto dormia”, esclareceu o promotor de Justiça.

Fragilidades na rede de saúde e campanha de proteção

Os desdobramentos desta investigação revelaram falhas no sistema de acompanhamento médico local.

O Ministério Público classificou como grave a existência de subnotificação e a falta de registro compulsório de Agravos e de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) nas redes de saúde da região procedimento considerado vital para o amparo e proteção de menores de idade.

Em razão dessas constatações, o MPTO informou que expedirá recomendações formais à Secretaria Municipal de Saúde e aos gestores das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para exigir o cumprimento rigoroso dos protocolos de notificação compulsória.

A Promotoria também deve requisitar relatórios e documentos que detalhem a produtividade e a eficácia das políticas de proteção à infância e juventude na comarca.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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