TEMPO REAL / Os gargalos que precisam ser resolvidos até esta sexta nas pré-campanhas do Tocantins

A reta final das pré-campanhas se tornou emocionante e muita coisa pode mudar até esta sexta-feira, 5, quando encerra o prazo para que os partidos realizem suas convenções. Na verdade, até o registro das candidaturas ainda poderá haver alteração. A campanha de reeleição do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) está redonda, com cabeça de chapa, vice — Laurez Moreira (PDT) — e senadora — Dorinha Seabra Rezende (UB) — bem definidos e entrosados.

Claro que sempre haverá arestas, mas não há, por enquanto, na majoritária deles. A coluna “Em Off” trouxe nessa quarta, 3, a situação da ex-secretária estadual da Educação Adriana Aguiar (UB), que parece estar sendo desconvidada a disputar vaga de deputada federal. Palacianos revelam, com muito cuidado, olhando dos lados, que pesou a relação próxima dela com o ex-governador Mauro Carlesse (Agir), também pré-candidato a senador, como a presidente regional do UB. Certamente que outras rusgas menores existam na campanha governista, mas a majoritária continua no bom momento em que surfa.

Outras pré-campanhas apresentam grandes gargalos a serem resolvidos. O pré-candidato a governador Osires Damaso (PSC), nesta altura, é o que mais tem. O maior problema foi o jogo dúbio de Irajá (PSD), forte aliado do PSC, que nunca disse cristalinamente que Damaso seria seu candidato. Não vai ser. Pelo menos a expectativa geral é de que o senador comunique ao pré-candidato do PSC nesta manhã que vai disputar o governo do Tocantins e que tenha o nome homologado na distante Lavandeira nesta sexta, longe dos olhos da mídia e num arremedo de JK.

Então, Damaso precisa ver se ficará com outros importantes aliados. Um deles, o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha (PSB), também pode voar porque discute a possibilidade de ser o candidato a senador de Ronaldo Dimas (PL). As conversas estão intensas com a dupla dinâmica Dimas e senador Eduardo Gomes (PL).

O social-cristão ainda tem a possibilidade de contar com o ex-senador Ataídes Oliveira, que perdeu e reconquistou o Pros em menos de 24 horas. De toda forma, pode ser muito pouco para quem quer disputar o governo. Até porque “puxadinhos” do PSD, como PRTB e Avante, devem acompanhar Irajá em sua candidatura.

Assim, já se discute uma composição de Damaso com Dimas/Gomes. Daí sairia uma chapa muito competitiva com o ex-prefeito de Araguaína encabeçando, Damaso de vice e Amastha para senador. Claro, tudo especulação até agora, a não ser a conversa que o ainda pré-candidato a governador do PSC terá à tarde com Dimas e Gomes.

Candidato, Irajá vai construir uma chapa familiar, com ele a governador e a mãe, Kátia Abreu (PP), a senadora? Se sim, como a opinião pública vai receber essa tentativa de implantar uma nova monarquia tocantinense? A bem da verdade, já tivemos outras, não seria a primeira. Se Irajá e Kátia disputarem para governo e Senado, respectivamente, separados, como isso também será recebido?

Na campanha de Dimas, as coisas ganharam ritmo e paz desde o desfecho do apoio de Dorinha ao Palácio. Como esta coluna escreveu na ocasião, foi a melhor solução para os dois. Ela não o queria e ele estava amarrado neste impasse, sem poder avançar nos acordos que precisava fazer. Mas o pré-candidato do PL tem que aguardar o final da novela de sempre do MDB, cuja insatisfação com o apoio a Dimas, entre importantes caciques, é grande. Mas acabam se acertando. É da tradição dos emedebistas se insurgir contra qualquer decisão.

Dimas precisa definir essa questão do senador. Há quem defenda que ele não tenha candidato neste momento. Mas, se conseguir amarrar Damaso de vice e Amastha para senador, o pré-candidato do PL ganharia um fôlego enorme neste momento em que as pré-campanhas de oposição estão chegando à convenção meio que raquíticas.

Outro que vai enfrentar um desafio enorme é o pré-candidato do PT, Paulo Mourão. Na federação com PCdoB e PV, os problemas não podem ser ignorados. Quem tem muito voto nas legendas aliadas prefere apoiar a reeleição de Wanderlei, os deputados estaduais Ivory de Lira (PCdoB), líder do governo na Assembleia; e Cláudia Lelis (PV), principalmente. A petista Amália Santana esperneou, mas foi levada pelo beiço para a campanha de Mourão. Luana Ribeiro (PCdoB) está quietinha nessa discussão.

Mourão tem também o desafio de definir o vice — o PCdoB quer a professora Germana na vaga — e o senador. O ideal seria colocar quem pudesse agregar muitos votos à campanha petista. Mas quem vai embarcar na canoa nesta altura do campeonato, aos 49 do segundo tempo, e diante da atual conjuntura eleitoral, que favorece quem efetivamente já tem musculatura para exibir?

São essas as principais questões que precisarão ser respondidas em pouco mais de 24 horas.

Como diria o “Rei” agora nervosinho Roberto Carlos: “são tantas emoções”.

CT, Palmas, 4 de agosto de 2022.

Cleber Toledo - Portal CT - 04/08/2022

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