Entrevista com o novo presidente da OAB-TO, Dr. Walter Ohofugi

Aline Brabo, Jornalista - DRT 458/TO - 15/12/2015

Casado, pai de quatro filhas e apaixonado por esportes, Walter Ohofugi, 50 anos, é militante da advocacia tocantinense há 25 anos. Graduado pela Faculdade Mackenzie, de São Paulo, atuou como assessor no Tribunal de Justiça e, posteriormente veio para o Tocantins para a advocacia privada. Comanda um escritório com 12 colaboradores, tendo mais três sócios.

 

 

JusTocantins - Quais as razões que o motivaram a se candidatar a presidente da OAB?

Na verdade foi um projeto concebido de uma forma muito espontânea. Essa espontaneidade fez com que um grupo se reunisse, e fizemos pela primeira na história do processo eleitoral do Tocantins o coletivo sobrepor um projeto pessoal, que geralmente não é o que temos visto. Advogo no Tocantins há 25 anos e sempre vemos candidatos fortes, e em torno desses candidatos e projetos pessoais, se aglutina um grupo de advogados e daí eles lançam um chapa e uma proposta eleitoral. Nosso grupo não. Nós reunimos um grupo de advogados e ficamos em torno de seis meses a um ano debatendo o que teríamos de pontos em comum, convergência, e o que pensávamos para uma mudança na Ordem, e esse grupo foi se consolidando. Somente no mês de junho de 2015 que se chegou ao meu nome, a princípio até a contra gosto, pois eu acreditava que tinham candidatos melhores dentro do grupo. E assim lançamos a minha candidatura. Uma candidatura de oposição, cujo grande mérito nosso foi manter a coerência durante todo o processo eleitoral. Buscamos apoio necessário, mas sempre com uma proposta firme de oposição, sempre com a ideia de mudança, fazendo uma crítica séria, mas reconhecendo os que os adversários fizeram e as outras gestões. Mas com a ideia de mudança, até um pouco radical. Tanto que, da atual composição da Ordem, temos em nosso grupo um conselheiro suplente e dois ex-conselheiros.

 

Como foi formada a sua chapa?

Uma característica desse grupo é que ele se materializou graças às Redes Sociais. Primeiro que não tínhamos tempo, todos advogavam, ao contrário dos adversários que tinham estrutura para participar das eleições com um projeto de candidatura encaminhado, nós não. Se não fossem as Redes Sociais para nosso grupo interagir nunca nos encontraríamos. Ficamos seis meses só conversando pelas Redes, discutindo, debatendo. Tanto que só entramos na campanha em agosto, enquanto dos demais candidatos já estavam fazendo campanha seis meses antes.

 

Quais os maiores anseios vocês percebeu na classe durante sua campanha?

Institucionalmente a classe estava buscando protagonismo junto à sociedade. Tanto que daí surgiu o nome da chapa, OAB Protagonista. Nós detectamos que a classe não anda valorizada e também reconhecemos que a Advocacia não tem atuado através da OAB, nos movimentos coletivos. Agora iremos buscar nessa gestão essa atuação mais incisiva, que não vem acontecendo. Iremos agir em tudo que nos cabe conforme nossa atuação constitucional. Se formos analisar, em 2010 a OAB iniciou uma discussão contra o Tribunal de Contas do Município, e deu certo. E agora em outubro de 2015, talvez motivado pelo momento político que estamos vivendo, foi discutida a questão do pacote de impostos do Governo e este recuou. Ou seja, a OAB tem força, instrumentos, mas não tem exercido isso. Quando não fazemos essa atuação a sociedade não reconhece. A mídia espontânea que tem conseguido a Defensoria Pública do Estado, nosso paradigma, é graças a esse tipo de atuação. Antes eles eram uma instituição pequena que correu o risco de deixar de existir e que cresceu por meio do protagonismo e de uma atuação contundente. É isso que a Ordem precisa fazer.

 

Como trazer o advogado mais para perto da Ordem?

A gente acredita que fortalecendo as comissões. Voltando a OAB para o interior do Estado. Trazer o advogado da Capital para mais perto, mas também o advogado do interior. Precisamos fazer uma melhor reparação dessas anuidades. Fazer com que os advogados voltem a pagar, pois a inadimplência ainda está alta, mas pretendemos fazer um choque de gestão. Eu venho da iniciativa privada e trago comigo esse modelo de gestão. Proponho mais austeridade, o corte de mordomias e a melhor repartição dos recursos com investimentos mais eficientes.

 

Como será a participação das mulheres na sua gestão?

Nosso projeto eleitoral já deu certo para a participação das mulheres. Até fazemos uma brincadeira dizendo que teremos que reservar cota para homens, pois a participação das mulheres é maciça. Nossas conselheiras já são aproximadamente 57%. Creio que somos a única Seccional do Brasil onde a maioria é de mulheres. Então, isso é muito positivo e demonstra essa abertura para a atuação das mulheres.

 

Com relação ao jovem advogado, quais projetos estão voltados para essa classe?

Para o jovem advogado temos uma proposta, já dentro desse contexto de modernidade, de criar mecanismos de apoio. Durante a campanha, nós detectamos que existe uma gama muito grande de advogados que está no limbo, ou seja, não está em escritório, sociedade, empresa. Fica até difícil localizá-los. Então criamos o projeto chamado “Nosso Escritório”, que consiste num centro de atendimento para jovens advogados. Será um local com estrutura mínima para esse jovem trabalhar com sala de reuniões e secretária, onde ele poderá atender seus clientes, pois sabemos que todo início de carreira é complicado. Outra coisa essencial em que focaremos é a capacitação. A OAB depois do Exame de Ordem deixa muito a desejar nessa linha. Principalmente no que diz respeito à gestão. Assim que o jovem advogado receber sua carteira, queremos inseri-lo na questão contábil, tributária, se ele irá trabalhar individualmente, se em sociedade, para que ele possa ter ciência do efetivo custo de se manter no mercado. Além disso também pretendemos trabalhar de forma mais aprofundada e incisiva a questão da ética para o jovem advogado, no viés da sustentabilidade financeira, pois isso é um fator complicador no início da carreira.

 

E com relação às especializações?

Nós temos um grupo muito forte composto por professores. Recebemos o apoio de cerca de 90% dos advogados que atuam na academia do Direito. Assim, esse grupo irá utilizar esse ponto forte para a formação continuada dos advogados, tanto em Palmas quanto no interior. Se fizermos um curso de Processo Civil, por exemplo, iremos contar com professores qualificados para tal, com efeito multiplicador. Muitas vezes não era o que vinha acontecendo, pois muitos ministradores de cursos sequer eram professores da área. E outra proposta muito bacana é dar maior autonomia para a Escola Superior da Advocacia – ESA. Portanto, vamos focar nesse viés de capacitação, utilizando bem os recursos, e cortando os gastos perdulários.

 

E falando em ética, o que poderia destacar sobre o Novo Código de Ética da OAB?

Considero o Novo Código bem mais severo e isso é importante. Agora precisamos fazer um trabalho grande de divulgação para que o advogado possa atuar melhor, pois o Tribunal de Ética está aí para fiscalizar. Acho que o Tribunal é uma das entidades mais importantes dentro da OAB, o que é essencial para evitar que certos advogados atuem sem limites ou burlem o que está convencionado.

 

E para finalizar, o que a classe pode esperar da sua gestão à frente da OAB?

Acredito que iremos criar novos paradigmas, digamos assim, culturais. Um deles é o fim do personalismo. Por exemplo, fui eleito, tenho recebido diversos contatos de várias esferas sociais, porém já declaro que não sou candidato à reeleição. A OAB não precisa viver de personalidade, ela precisa do coletivo. Outra coisa é que vamos trabalhar com muito enfoque nessa questão da transparência. Um importante legado que o atual presidente da OAB, Epitácio Brandão, deixou foi uma eleição limpa com a participação do Tribunal Regional Eleitoral – TRE, e nós vamos ampliar isso. Vamos divulgar melhor as listas dos advogados, que para mim foi a única coisa que deixou a desejar em todo o processo. Então, a questão da transparência será um legado que nós queremos deixar. Vamos criar um Portal da Transparência onde os demais advogados poderão saber cada vez que o presidente ou o conselheiro viajou, para onde foi, quanto gastou, porque ele foi. Faremos isso de uma forma que nenhum gestor possa mudar. E vamos fazer uma gestão moderna, funcional e buscar a união da classe, esses serão pontos importantes.

Leia mais: OABWalter Ohofugi

COMENTÁRIOS

 Nome:
 E-mail:
 Texto:
Comentários (0)
  • Nenhum comentário publicado.