Delegado e pesquisador, Wanderson Chaves estreia como colunista do JusTocantins com análises sobre crime organizado

Delegado e pesquisador, Wanderson Chaves estreia como colunista do JusTocantins com análises sobre crime organizado
Foto: Divulgação/arquivo pessoal

 

O delegado de Polícia Civil Wanderson Chaves de Queiroz passa a integrar, a partir desta segunda-feira, 21, o time de colunistas do JusTocantins.

Com experiência de mais de duas décadas na segurança pública e trajetória também dedicada à pesquisa e ao ensino do Direito, ele estreia no portal com o artigo “A investigação financeira como efetiva ferramenta de combate ao crime organizado”.

A proposta da coluna é levar ao leitor análises sobre crimes que, segundo Wanderson, ultrapassam a atuação policial tradicional e têm grande alcance e impacto social.

Entre os temas que pretende abordar estão organizações criminosas, domínio territorial, crimes virtuais, extorsão, sequestro, agiotagem, criptomoedas, jogos de azar e lavagem de dinheiro.

“Minha coluna se ancora na ideia de debater delitos de grande alcance e impacto social”, explica o delegado.

Entre os assuntos citados por ele estão golpes praticados no ambiente virtual, como o falso advogado e fraudes envolvendo a compra e venda de veículos e imóveis anunciados em plataformas como a OLX.

A proposta é discutir não apenas cada crime isoladamente, mas também as conexões entre essas práticas e a movimentação de recursos ilícitos.

Da rua ao dinheiro

No artigo que marca a estreia, Wanderson defende uma mudança na forma como o Estado enfrenta organizações criminosas.

Para ele, o crescimento e a estruturação das facções fizeram com que a segurança pública precisasse ampliar o foco para além do policiamento ostensivo e da prisão de suspeitos.

“Não se deve focar em apenas promover segurança pública com polícia na rua ou pensar na investigação apenas com o intuito de prender o criminoso”, afirma.

Na avaliação apresentada pelo delegado, a mudança ganhou força à medida que organizações criminosas passaram a exercer influência sobre territórios e a ampliar sua capacidade econômica e de articulação.

“É necessário que investigação se volte também à descapitalização da organização e que todas as polícias, sejam ostensivas ou não, troquem informações de inteligência e atuem em parceria”, diz.

No artigo de estreia, essa é uma das principais ideias defendidas pelo novo colunista: atingir não apenas os integrantes das organizações criminosas, mas também os recursos que permitem a manutenção e a expansão dessas estruturas.

Wanderson cita como exemplos o domínio territorial exercido pelo Comando Vermelho em áreas do Rio de Janeiro e a atuação de outros grupos criminosos em estados como Bahia e Ceará, além da expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Brasil e no exterior.

Segundo ele, esse cenário “forçou uma mudança de paradigma nas investigações e na organização da segurança pública”.

Uma trajetória dedicada à segurança pública

A experiência profissional que sustenta as análises começou ainda no início da vida adulta. Wanderson ingressou na Polícia Militar do Distrito Federal em 1999, aos 19 anos, onde permaneceu por nove anos e três meses. Em março de 2009, tomou posse como delegado de Polícia no Tocantins.

A formação acadêmica acompanhou essa trajetória. É bacharel em Direito pela Universidade Católica de Brasília e, no Tocantins, graduou-se em Letras-Espanhol pela Unitins e em Filosofia pela Universidade Federal do Tocantins (UFT).

Também concluiu mestrado em Letras pela UFT, em Porto Nacional, e doutorado em Gestão Estratégica e Altos Estudos em Ciências Policiais.

Atualmente, é doutorando em Ciências do Ambiente pela UFT. A pesquisa investiga a atuação de facções criminosas por meio de crimes ambientais na área da Amazônia Legal no Tocantins.

Wanderson também possui especialização em Segurança Pública, Cidadania e Direitos e pós-graduações em Estado de Direito e Combate à Corrupção e em Direito de Polícia Judiciária, esta última pela Academia Nacional de Polícia da Polícia Federal.

Além da atuação policial, é professor de Direito na Faculdade UNOPAR, onde leciona Direito Penal e Processo Penal.

Da Corregedoria ao combate ao crime organizado

A experiência profissional inclui ainda três anos à frente da Corregedoria-Geral da Segurança Pública, entre outubro de 2021 e janeiro de 2025.

Depois desse período, assumiu como delegado-chefe da 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC-Palmas), unidade na qual já havia trabalhado anteriormente.

É dessa combinação entre experiência policial, pesquisa acadêmica e docência que nasce a proposta da nova coluna: discutir segurança pública para além das ocorrências do dia a dia e buscar explicar ao leitor como funcionam as estruturas criminosas, como elas movimentam recursos e quais são os desafios para enfrentá-las.

Na estreia, Wanderson parte de uma pergunta central: se as organizações criminosas conseguem se estruturar, movimentar dinheiro, conquistar influência e reinvestir recursos, a resposta do Estado pode se limitar à prisão de seus integrantes?

A partir desta segunda-feira, o leitor do JusTocantins poderá acompanhar a análise desse e de outros temas relacionados à criminalidade organizada, às novas modalidades de crime e aos caminhos da investigação policial.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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