STJ determina indenização de R$ 200 mil por danos ambientais após corte ilegal de babaçu no TO

STJ determina indenização de R$ 200 mil por danos ambientais após corte ilegal de babaçu no TO
Foto: Divulgação

 

A derrubada ilegal de palmeiras de babaçu em uma propriedade rural de Santa Terezinha do Tocantins, no Bico do Papagaio, terminou com uma condenação de R$ 200 mil por danos morais coletivos ambientais.

A decisão foi tomada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) após recurso apresentado pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO).

O caso começou em 2017, quando a Polícia Militar Ambiental encontrou diversas palmeiras de babaçu derrubadas sem autorização ambiental na propriedade. O responsável pelo imóvel não teve o nome divulgado.

A Justiça de primeira instância determinou que a área fosse recuperada por meio de um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), que deverá ser aprovado pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). Na época, porém, o pedido de indenização por dano moral coletivo foi rejeitado.

O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) manteve esse entendimento. O MPTO recorreu ao STJ e conseguiu reverter a decisão.

Importância do babaçu

Ao analisar o recurso, a ministra Maria Thereza de Assis Moura considerou a proteção especial dada ao babaçu pela Constituição do Tocantins e a importância da palmeira para o meio ambiente e para as comunidades tradicionais, principalmente as quebradeiras de coco.

Segundo o STJ, a derrubada ilegal das palmeiras já é suficiente para caracterizar o dano moral coletivo ambiental.

Por isso, não é necessário demonstrar um prejuízo específico causado à população para que exista o direito à indenização.

A decisão também deixou claro que recuperar a área não elimina a obrigação de pagar a indenização. A reparação ambiental deve ser integral.

Quebradeiras de coco

O babaçu tem forte relação com a economia e a cultura das comunidades tradicionais do Tocantins. No Bico do Papagaio, o trabalho das quebradeiras de coco é desenvolvido principalmente por mulheres e representa fonte de renda para centenas de famílias.

A atividade também ganhou reconhecimento nacional. Em 2026, uma lei federal reconheceu oficialmente o trabalho das quebradeiras de coco babaçu como manifestação da cultura nacional.

Além do Tocantins, a atividade tradicional também está presente em comunidades do Maranhão, Piauí e Pará.

O trabalho envolve a coleta e o aproveitamento do coco babaçu e é associado à preservação ambiental, à geração de renda e à transmissão de conhecimentos entre gerações.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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