Impasse na Aleto pode afetar pagamentos de servidores e travar R$ 56 milhões do Fundo Amazônia, diz governo do TO

Impasse na Aleto pode afetar pagamentos de servidores e travar R$ 56 milhões do Fundo Amazônia, diz governo do TO
Foto: Esequias Araujo/Governo do Tocantins

 

Em entrevista coletiva concedida nessa quinta-feira, 16, no Palácio Araguaia, o governador Wanderlei Barbosa detalhou as medidas tomadas após a Assembleia Legislativa (Aleto) alterar Medidas Provisórias (MPs) enviadas pelo governo.

As modificações feitas pelos deputados dizem respeito ao pagamento de indenizações e gratificações do Programa de Fortalecimento da Educação (Profe).

Segundo o Estado, as mudanças feitas na Aleto aumentaram os custos sem indicar de onde viria o dinheiro, o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e coloca em risco o equilíbrio das contas públicas.

Risco para 7 mil servidores

Um levantamento do Governo do Tocantins aponta que mais de 7 mil funcionários públicos podem ser prejudicados caso as propostas não sejam adequadas à legalidade. Os números detalhados mostram:

  • Educação (Profe): 6.717 profissionais sob risco; destes, 5 mil podem ter gratificações reduzidas e 1,6 mil podem perder o benefício totalmente.

  • Outros órgãos: 832 servidores de autarquias como Detran, Unitins, Naturatins e Ruraltins podem sofrer cortes em indenizações.

O governador Wanderlei Barbosa destacou a necessidade de garantir o pagamento de forma segura.“No caso do Profe, o servidor precisa receber com segurança jurídica. Nós queremos pagar o máximo possível, mas dentro do que o orçamento permite”.

Ameaça a recurso do Fundo Amazônia

Além do impasse com os servidores, o governo revelou a preocupação com a possível perda de R$ 56 milhões do Fundo Amazônia, via BNDES.

O recurso é “a fundo perdido” (doação), ou seja, o Estado não precisaria devolver o dinheiro. No entanto, a verba depende de aprovação legislativa para ser utilizada.

O valor seria investido na análise de 90 mil processos do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e no apoio a pequenos produtores. O secretário de Meio Ambiente, Marcello Lelis, reforçou a urgência.

“Trata-se de um recurso importante, com impacto direto na regularização ambiental e no fortalecimento do setor produtivo. (…) Caso não seja aprovado, o Estado pode perder esse recurso, que não é financiamento, é uma doação”.

Insegurança jurídica e próximos passos

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) alertou que pagar os benefícios com as alterações feitas pela Assembleia pode levar à suspensão dos pagamentos por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas.

“Tudo foi feito para evitar o risco de questionamentos judiciais e a eventual suspensão dos benefícios”, explicou o procurador-geral Jacques Ponce.

O governo informou que já pediu ao BNDES a prorrogação do prazo para o recurso ambiental, mas ainda aguarda resposta.

Agora, a decisão final sobre o orçamento dos servidores e o aproveitamento da verba milionária do Fundo Amazônia depende da votação dos deputados estaduais na Aleto.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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