Tribunal do Júri condena policial militar por dupla execução de jovens em Gurupi e fixa pena superior a 35 anos

Tribunal do Júri condena policial militar por dupla execução de jovens em Gurupi e fixa pena superior a 35 anos
Foto: Reprodução/Montagem

 

O Tribunal do Júri de Gurupi sentenciou o policial militar Edson Vieira Fernandes, conhecido como “Lobão”, a uma pena superior a 35 anos de reclusão em regime fechado. A condenação refere-se ao assassinato de dois jovens, ocorrido em dezembro de 2017, na Vila São José.

A decisão judicial acatou integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), que classificou os crimes como atos de extermínio praticados mediante crueldade.

De acordo com as investigações e a denúncia do MPTO, os homicídios de Wesley Oliveira da Luz e Geovane Miguel da Silva foram motivados por uma suposta “limpeza social”. O órgão acusador demonstrou que o policial agia com o objetivo de eliminar indivíduos que ele considerava “indesejáveis” para a sociedade.

A cronologia dos fatos aponta que o primeiro ataque vitimou Wesley, gerando uma condenação de 16 anos, 7 meses e 15 dias. Logo em seguida, Geovane foi executado no que a Justiça tratou como “queima de arquivo”, uma estratégia para assegurar a impunidade do autor após o primeiro homicídio. Por esta segunda morte, a pena aplicada foi de 19 anos.

Histórico criminal e reparação às famílias

Edson Vieira Fernandes já se encontra detido no Batalhão da Polícia Militar de Gurupi, onde cumpre outra pena de 16 anos, com trânsito em julgado, pelo assassinato da travesti Daniela Cicarelli. Com a nova sentença, o total de tempo de reclusão do militar aumenta significativamente.

Além da privação de liberdade, a sentença estabeleceu medidas de reparação financeira:

  • Indenização: O pagamento de R$ 100 mil aos herdeiros de Wesley Oliveira da Luz.

  • Indenização: O pagamento de R$ 100 mil aos herdeiros de Geovane Miguel da Silva.

Posicionamento institucional

A Polícia Militar do Tocantins, embora questionada sobre a situação administrativa e as sucessivas condenações do servidor, não emitiu resposta oficial. O espaço segue aberto para manifestação da corporação.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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