Decisão que afastou secretário investigado por estupro cita imagens, testemunhas e mensagens; veja o que diz a Justiça

Decisão que afastou ex-secretário investigado por estupro cita imagens, testemunhas e mensagens; veja o que diz a Justiça
Foto: Divulgação

 

O secretário-executivo da Secretaria de Estado da Igualdade Racial, Nélio Nogueira Lopes do Amaral, foi afastado do cargo por determinação da Justiça do Tocantins e exonerado pelo Governo do Estado.

A medida cautelar foi proferida pelo juiz Milton Lamenha de Siqueira, da 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas, e cumprida na última segunda-feira, 8, no âmbito de um inquérito policial que apura o crime de estupro contra uma jovem de 19 anos.

A decisão atendeu a um pedido da Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público do Tocantins (MPTO), ordenando a suspensão imediata das funções públicas do gestor.

No mesmo dia do cumprimento do mandado, o Executivo estadual publicou no Diário Oficial a exoneração “a pedido” do investigado, que havia sido nomeado para a pasta em 14 de janeiro de 2026. Nélio já presidiu a Fundação Municipal da Juventude de Palmas em gestão anterior.

Abuso após agenda institucional e uso de veículo oficial

As investigações da Polícia Civil apontam que o crime teria ocorrido no dia 26 de maio, logo após o término de um compromisso oficial em Palmas.

A vítima, que procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), relatou que possuía uma relação profissional prévia com o secretário-executivo, tendo trabalhado sob sua gerência na condição de menor aprendiz.

De acordo com o depoimento, após participarem de um café da manhã institucional com outros servidores, a jovem aceitou carona no veículo utilizado por Nélio para retornar ao posto de trabalho.

Durante o trajeto, o secretário teria desviado a rota e estacionado o automóvel em um ponto na região sul da capital, local onde teria consumado a violência sexual.

A corporação confirmou que o veículo envolvido na denúncia é uma caminhonete Toyota Hilux pertencente à frota oficial da Secretaria da Igualdade Racial.

Provas iniciais e blindagem de testemunhas

Ao deferir o afastamento e as restrições, o magistrado destacou que a fase inicial do inquérito reúne elementos robustos que sustentam a denúncia, incluindo o depoimento detalhado da vítima, oitiva de testemunhas, imagens de câmeras de segurança e registros de interações em redes sociais.

O juiz frisou que a permanência do investigado no alto escalão do governo representava um risco real de interferência na coleta de provas, dada a sua posição de chefia.

Antes do afastamento definitivo, o plantão judiciário já havia fixado medidas protetivas de urgência contra o ex-secretário no dia 29 de maio.

Naquela ocasião, o juiz Rafael Gonçalves de Paula proibiu o investigado de manter qualquer tipo de contato ou aproximação inferior a 100 metros da vítima, de seus familiares e de testemunhas, além de vetar o acesso dele ao local de trabalho da jovem, que é vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

Contestação e sigilo processual

Em manifestação oficial, o corpo jurídico que representa o investigado composto pelos advogados Zenil Drumond, Thiago Marcos Barbosa Castro de Carvalho e Igor Batista Pereira declarou que recebeu a decisão com surpresa.

A banca contesta os fundamentos da cautelar, alegando que o pedido se ancora em “suposições descontextualizadas e erros de ordem fática”.

A defesa asseverou ainda que o cliente permanece à disposição das autoridades policiais e judiciárias para prestar todos os esclarecimentos necessários, ressaltando que o mérito das acusações será discutido estritamente nos autos do processo, que corre sob segredo de Justiça.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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