A falta de policiais na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e o número de assassinatos registrados em Palmas levaram o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a instaurar um procedimento para apurar as condições de funcionamento da unidade e as medidas adotadas pelas forças de segurança para enfrentar a violência.
Até 15 de outubro de 2026, a capital havia registrado 47 homicídios, segundo dados divulgados pela imprensa e citados no procedimento.
Em todo o ano de 2025, foram contabilizadas 49 mortes violentas. Somente em uma semana de outubro deste ano, quatro homicídios foram registrados.
O Ministério Público aponta insuficiência de delegados, escrivães e investigadores na delegacia especializada.
A preocupação é que a falta de profissionais comprometa o andamento das investigações e a identificação dos responsáveis pelos crimes.
Exoneração de delegado aumenta preocupação
A situação da DHPP também teria sido agravada pela recente exoneração de um delegado. Segundo o MPTO, a redução do efetivo pode prejudicar a rapidez das apurações em uma unidade responsável por investigar homicídios e outros crimes contra a vida.
O procedimento foi instaurado na segunda-feira, 19, pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), em conjunto com a 1ª Promotoria de Justiça da Capital.
A 5ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pelo controle externo da atividade policial em Palmas, também participará da apuração.
O órgão vai reunir documentos das inspeções anteriores realizadas na delegacia para auxiliar na análise das condições de funcionamento.
Secretaria de Segurança e Polícia Militar terão de prestar informações
O MPTO solicitou informações à Secretaria de Estado da Segurança Pública, à Polícia Militar e à própria DHPP. Os órgãos têm 15 dias para responder aos questionamentos.
A Secretaria da Segurança Pública deverá apresentar dados sobre homicídios consumados e tentados registrados em Palmas entre 2024 e 2026, com indicação dos meses e bairros com maior número de ocorrências.
Também terá de informar se existem planos de enfrentamento à violência e medidas previstas para reforçar o quadro de servidores da delegacia.
Já a Polícia Militar deverá detalhar as ações de policiamento preventivo nas regiões com maior incidência de homicídios, as operações realizadas em 2026 e as medidas adotadas após os crimes registrados em setembro e outubro.
Delegacia terá de informar quantos casos seguem sem conclusão
A DHPP deverá apresentar o número de inquéritos de homicídio instaurados e concluídos nos últimos três anos, além da quantidade de investigações que permanecem em andamento.
A unidade também terá de informar quantos profissionais compõem atualmente o efetivo e quais são as principais dificuldades enfrentadas no trabalho investigativo. Entre os pontos solicitados estão as necessidades de pessoal, equipamentos e estrutura.
Com as respostas, o Ministério Público pretende avaliar a capacidade operacional da delegacia e verificar quais providências são necessárias para melhorar as investigações e o enfrentamento dos homicídios na capital.





