Guaraí tem mais servidores temporários do que efetivos, e MP aciona Justiça para exigir concurso público em até 180 dias

Guaraí tem mais servidores temporários do que efetivos, e MP aciona Justiça para exigir concurso público em até 180 dias
Foto: Marcelo de Deus/Dicom MPTO

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) acionou a Justiça para que a Prefeitura de Guaraí realize concurso público e regularize a contratação de servidores temporários.

A ação foi proposta após uma investigação apontar que o município mantém mais funcionários contratados por tempo determinado do que servidores efetivos e não realiza concurso público geral para recompor o quadro desde 2016.

Segundo dados de uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO), em novembro de 2025, a administração municipal tinha 1.076 servidores vinculados. Desse total, 562 eram temporários, enquanto 425 ocupavam cargos efetivos.

A Ação Civil Pública foi ajuizada pela 3ª Promotoria de Justiça de Guaraí, com pedido de tutela de urgência, para que a situação seja regularizada.

De acordo com o promotor de Justiça Milton Quintana, o Tribunal de Contas julgou irregulares os atos de gestão relacionados às contratações temporárias por meio do Acórdão nº 508/2026.

A decisão também aplicou multa à prefeita e determinou providências para a realização de concurso público.

Para o MPTO, porém, as medidas adotadas pela prefeitura não foram suficientes para resolver o problema.

Entre as iniciativas apresentadas pelo município está a abertura de um procedimento para contratar a banca organizadora de um concurso com 104 vagas para professores de nível superior.

A proposta, entretanto, não abrange outras áreas da administração, como Saúde, Assistência Social e Quadro Geral.

Ministério Público aponta risco para a previdência municipal

Outro ponto levantado na ação é o possível impacto da falta de ingresso regular de servidores efetivos sobre a sustentabilidade financeira do Guaraí Prev, regime próprio de previdência dos servidores municipais.

O Ministério Público defende a adoção de medidas mais amplas para corrigir as contratações consideradas irregulares e garantir a recomposição do quadro funcional por meio de concurso público.

Veja o que o MPTO pede à Justiça

  • Suspensão de novas contratações temporárias em até 60 dias, exceto em situações de excepcional interesse público devidamente justificadas;
  • Encerramento dos contratos temporários considerados irregulares, dentro do mesmo prazo;
  • Início formal dos procedimentos administrativos para um concurso público amplo, contemplando o Quadro Geral, a Saúde, a Assistência Social e as demais secretarias municipais;
  • Aplicação das provas em até 180 dias.

 

O MPTO também pede que, em caso de descumprimento das determinações judiciais solicitadas, seja aplicada multa diária de, no mínimo, R$ 5 mil.

Os pedidos ainda dependem de decisão judicial. A ação busca obrigar o município a adotar medidas para regularizar o quadro de servidores e ampliar o preenchimento de cargos efetivos por concurso público.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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