MPTO aponta irregularidades no curso de Medicina da UnirG e cobra plano de reestruturação

MPTO aponta irregularidades no curso de Medicina da UnirG e cobra plano de reestruturação
Foto: Divulgação/MPTO

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) recomendou que a Universidade de Gurupi (UnirG), a Fundação UnirG, a coordenação do curso de Medicina e a direção do Ambulatório de Saúde Comunitária adotem uma série de medidas para corrigir falhas identificadas na graduação.

As irregularidades envolvem aspectos pedagógicos, estruturais, sanitários, ético-profissionais e regulatórios.

Segundo o promotor de Justiça Marcelo Lima Nunes, responsável pela recomendação, as investigações apontaram problemas que comprometem a qualidade do ensino e podem refletir na formação dos futuros médicos.

Baixo desempenho e superlotação

Entre as irregularidades citadas pelo MPTO está o desempenho considerado insatisfatório do curso no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025.

A graduação recebeu conceito 2 e, conforme o órgão, apenas 57,4% dos estudantes atingiram o nível mínimo de proficiência.

A recomendação também destaca que o curso manteve conceito 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC) e no Enade nos ciclos avaliativos de 2010, 2013, 2016 e 2019.

Durante as diligências, o Ministério Público ainda identificou deficiência na implantação da metodologia de Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), falta de capacitação de professores e turmas com até 80 estudantes.

Estrutura e ambulatório

O documento aponta problemas na infraestrutura do campus, como infiltrações, mofo, deficiência de climatização e iluminação, além de falhas em laboratórios utilizados nas atividades práticas e no internato médico.

Também foram registradas irregularidades no Ambulatório de Saúde Comunitária, constatadas durante fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO).

O MPTO cita ainda baixa produção científica do corpo docente e inconsistências no acervo bibliográfico.

Providências

Entre as medidas recomendadas está a elaboração, em até 30 dias, de um Plano de Reestruturação Acadêmica e Pedagógica, com definição de metas, cronograma e previsão orçamentária.

O documento também prevê capacitação permanente dos docentes, reorganização do internato, adequação do número de alunos por turma, melhorias na infraestrutura, atualização do acervo bibliográfico e regularização das condições do ambulatório.

As instituições notificadas deverão informar ao Ministério Público, no prazo de 15 dias, quais providências foram adotadas.

Segundo o MPTO, o descumprimento da recomendação poderá resultar na adoção de medidas judiciais e extrajudiciais, incluindo o ajuizamento de Ação Civil Pública.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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