Justiça do TO é acionada após UnirG revalidar mais de mil diplomas de Medicina de forma irregular

Justiça do TO é acionada após UnirG revalidar mais de mil diplomas de Medicina de forma irregular
Foto: Divulgação

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) ajuizou uma ação civil pública contra a Fundação Unirg e a Universidade de Gurupi (UnirG) exigindo a suspensão e a anulação de todos os atos de revalidação de diplomas estrangeiros de Medicina emitidos pela instituição desde março de 2025.

A promotora de Justiça Luma Gomides de Souza aponta que a universidade promoveu as revalidações “em larga escala” e em total desacordo com as normativas federais, identificando pelo menos 1.040 diplomas validados de forma irregular em apenas um ano.

De acordo com a apuração da 3ª Promotoria de Justiça de Gurupi, a UnirG continuou utilizando um sistema simplificado próprio de revalidação mesmo após essa modalidade ter sido extinta pela Resolução nº 02/2024 do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Pela regra federal, a partir de 3 de março de 2025, os diplomas médicos obtidos no exterior só poderiam ser validados por meio do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), encerrando a autonomia das faculdades para esse fim.

Vagas extrapoladas e nota baixa no MEC

A ação detalha que a UnirG extrapolou gravemente sua capacidade legal de emissão. A legislação do Ministério da Educação (MEC) limita a quantidade de revalidações anuais ao número de vagas ofertadas no curso de graduação da instituição.

A UnirG possui 240 vagas anuais para Medicina, mas chancelou mais de mil diplomas em 2025.

Além disso, o MPTO destaca que a universidade sequer tinha competência jurídica para o ato: para revalidar títulos, o curso precisa ter Conceito Preliminar de Curso (CPC) igual ou superior a 3. O curso de Medicina da UnirG possuía CPC 2 e foi recentemente rebaixado para CPC 1, a nota mais baixa do MEC.

Terceirização e falta de editais

A promotoria também identificou irregularidades administrativas graves no processo, como a contratação de uma empresa privada para realizar a triagem e emitir os pareceres dos diplomas uma função que é exclusiva e indelegável da instituição pública de ensino.

O esquema operava sem a publicação de editais públicos de convocação e os pedidos de revalidação eram recebidos de forma informal por e-mail, sem tramitar pela Plataforma Carolina Bori (o sistema oficial do MEC), o que, segundo o Ministério Público, impediu a transparência e a fiscalização dos órgãos de controle externo.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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