CNJ considera ilegal exclusão de juíza da lista para vaga no TJ de SC após denúncia do filho do governador

CNJ considera ilegal exclusão de juíza de lista para vaga no TJ de SC após denúncia do filho do governador
Foto: Imagem/ redes sociais

 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu que foi ilegal a retirada da juíza Margani de Mello da lista tríplice para a escolha de uma vaga de desembargadora do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Com isso, o órgão determinou que ela participe de um novo processo de seleção para o cargo.

Margani foi excluída da disputa após uma denúncia de perturbação ao sossego, feita pelo advogado Filipe Mello, filho do governador Jorginho Mello (PL). O caso aconteceu na madrugada de 27 de setembro de 2025, no prédio onde ambos moram, em uma área nobre de Florianópolis.

Depois do episódio, o comandante-geral da Polícia Militar, Emerson Fernandes, enviou um ofício ao Tribunal de Justiça relatando os fatos. Com base no documento, foi aberta uma sindicância interna para apurar a conduta da juíza.

Cerca de um mês depois, durante a sessão que escolheria os nomes para a promoção, o corregedor-geral de Justiça, Luiz Antônio Zanini Fornerolli, leu todo o relatório da sindicância, mesmo sendo um documento sigiloso.

O texto citava aspectos da vida pessoal da juíza e afirmava que ela estaria “alterada” por consumo de bebida alcoólica. Após a leitura, o corregedor recomendou voto contrário à inclusão de Margani na lista.

Votação desfavorável

Dos 79 desembargadores aptos a votar, apenas 19 se posicionaram a favor da magistrada. Com isso, Margani ficou fora da lista tríplice para a vaga de desembargadora.

Recurso ao CNJ

A juíza recorreu ao CNJ alegando violação ao direito de defesa, à presunção de inocência e também discriminação de gênero.

Decisão do Conselho

No julgamento, a conselheira Renata Gil de Alcantara Videira afirmou que a recomendação contra a juíza foi ilegal e ignorou o histórico disciplinar dela, que não tinha registros negativos.

Segundo a conselheira, a leitura pública de um relatório sigiloso, antes da ampla defesa, “extrapolou os limites da legalidade e da razoabilidade”.

Promoções mantidas

Mesmo reconhecendo a irregularidade, o CNJ decidiu não anular as promoções feitas em novembro. Porém, determinou que Margani seja incluída em uma nova seleção para o cargo de desembargadora.

O que dizia a sindicância

A investigação apontou duas possíveis infrações:
– perturbação ao sossego
– uso do prestígio do cargo para constranger policiais

A juíza nega as acusações.

Acordo entre as partes

Em novembro, Margani, o marido e Filipe Mello se reuniram e encerraram o termo circunstanciado aberto após o episódio, segundo nota divulgada na época.

Posição das autoridades

Procurado, o Tribunal de Justiça informou que o caso está em segredo de Justiça e que cumpre as decisões do CNJ. Já a Polícia Militar disse que não comentaria o envio do ofício ao tribunal.

Com informações da Folha de São Paulo.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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