R$ 349 mil destinados a projeto social para jovens em Palmas foram desviados no mesmo dia do repasse, aponta relatório da PC

R$ 349 mil destinados a projeto social para jovens em Palmas foram desviados no mesmo dia do repasse, aponta relatório da PC
Foto: divulgação/PC

 

Um projeto destinado ao combate às drogas em Palmas, que recebeu R$ 349 mil em recursos públicos, jamais foi executado. É o que revela o relatório final da Operação Jogo Limpo, divulgado nessa quinta-feira, 26, pela Divisão Especializada na Repressão à Corrupção (DECOR). Segundo a Polícia Civil, o montante foi integralmente desviado no mesmo dia em que foi repassado à entidade responsável.

A investigação, que durou 12 anos e foca em fatos ocorridos em 2014, resultou no indiciamento de dez pessoas por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O alvo da fraude foi o Convênio nº 020/2014, firmado entre a Fundação Municipal de Esporte e Lazer (Fundesportes) e o Instituto Vale do Tocantins. Sob o título “Atividade Física e Recreativa no Combate às Drogas”, a proposta deveria atender jovens em situação de vulnerabilidade.

No entanto, o inquérito concluiu que as atividades nunca ocorreram e nenhum material esportivo foi comprado. Sobre o impacto da ausência do serviço, o relatório policial afirma que, enquanto os R$ 349.740,00 eram dissipados em empresas fantasmas e distribuídos entre agentes políticos, os jovens palmenses permaneciam nas ruas, expostos justamente às vulnerabilidades que o projeto deveria combater.

O documento destaca ainda que a política pública de proteção acabou sendo convertida em um instrumento de enriquecimento ilícito.

Indiciados e crimes apontados

Entre os indiciados pela Polícia Civil estão o ex-presidente da Fundesportes, Cleyton Alen; o ex-vereador Rogério Freitas; e o presidente do Instituto Vale do Tocantins, Deusdete da Silva Melo. A polícia sustenta que a estrutura foi utilizada para simular a legalidade de um serviço inexistente.

A lista de crimes atribuídos aos suspeitos inclui:

  • Peculato (apropriação de dinheiro público);

  • Falsidade ideológica;

  • Lavagem de dinheiro;

  • Dispensa ilegal de licitação;

  • Associação criminosa.

Posicionamento da gestão municipal

Em nota, a atual gestão da Prefeitura de Palmas esclareceu que os fatos investigados referem-se a uma gestão passada (2014) e não possuem vínculo com a administração atual. O município reforçou que mantém a postura de colaborar com as autoridades para o esclarecimento do caso.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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