Justiça do TO manda Estado reestruturar IMLs e lançar concurso da Polícia Científica em 100 dias

Justiça do TO manda Estado reestruturar IMLs e lançar concurso da Polícia Científica em 100 dias
Foto: Divulgação/TJTO

 

A 1ª Vara da Fazenda e Registros Públicos de Palmas determinou, nesta segunda-feira, 18, que o Governo do Tocantins adote medidas urgentes para reestruturar a Superintendência da Polícia Científica.

A decisão do juiz Roniclay Alves de Morais, tomada no âmbito de uma ação civil pública, estabelece prazos para reformas nos institutos de criminalística e Médicos Legais (IML), compra de equipamentos e a abertura de um novo concurso público.

O magistrado fixou o prazo de 100 dias para a publicação do edital do concurso para os cargos de peritos oficiais e agentes de necrotomia.

Já as reformas físicas e a aquisição de equipamentos essenciais deverão ser concluídas em até 180 dias. A contagem dos prazos começará a partir da intimação oficial do Executivo estadual.

Relatórios apontam ‘abandono e precariedade’

A ação foi movida após fiscalizações do Ministério Público constatarem um cenário de abandono na estrutura pericial do estado.

Entre as principais irregularidades apontadas pelo órgão estão a falta de câmaras frias para a conservação de cadáveres e a ausência de salas seguras para o armazenamento de provas coletadas em investigações.

De acordo com a sentença, relatórios da própria direção do IML classificaram a situação das unidades do interior como péssimas ou precárias.

O documento cita, inclusive, um episódio em Gurupi no qual a falta de segurança em uma sala de custódia permitiu o roubo de armas e drogas apreendidas. Além disso, foi reconhecido um déficit de aproximadamente 42% no quadro de servidores periciais.

Em sua defesa no processo, o Estado do Tocantins argumentou que não há omissão administrativa e que vem adotando providências graduais dentro dos limites do orçamento.

O governo também justificou que possui planos para adquirir novos equipamentos utilizando verbas federais e que o concurso público já havia sido autorizado pelo Executivo.

Juiz rebate argumento de falta de verba

Ao analisar as justificativas do governo, o juiz Roniclay Alves de Morais destacou que a segurança pública é um dever constitucional e que o princípio da “reserva do possível” argumento jurídico que condiciona a garantia de direitos à disponibilidade financeira não pode ser usado de forma irrestrita para mascarar a ineficiência.

O magistrado ponderou que, como o próprio Estado informou utilizar recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, a falta de insumos não se justifica por crise financeira.

“A omissão em equipar os demais núcleos não se justifica por essa tese, mas por falha no planejamento administrativo”, registrou o juiz.

Medidas obrigatórias determinadas pela decisão

A sentença impõe uma série de melhorias estruturais que devem ser cumpridas no prazo de seis meses. São elas:

  • Reformas e manutenção: Reforma integral do prédio do 6º Núcleo Regional de Medicina Legal de Porto Nacional e manutenção corretiva e preventiva nas demais unidades do estado.

  • Aparelhos de Raio X: Aquisição e instalação do equipamento em todos os núcleos regionais que ainda não o possuam.

  • Câmaras frias: Instalação de equipamentos para conservação de corpos nos núcleos de Colinas, Guaraí, Paraíso do Tocantins, Araguatins, Porto Nacional e Gurupi.

  • Exames especiais: Estruturação de salas adequadas para exames em cadáveres em avançado estado de decomposição nas regionais de Araguaína, Colinas, Guaraí, Paraíso, Porto Nacional, Gurupi e Natividade/Dianópolis.

  • Guarda de provas: Criação de salas com acesso restrito para garantir a cadeia de custódia (integridade das provas) em Tocantinópolis, Araguaína, Colinas, Guaraí, Paraíso, Porto Nacional, Gurupi e Natividade/Dianópolis.

Por se tratar de uma decisão de primeira instância, o Governo do Tocantins ainda pode recorrer da sentença junto ao Tribunal de Justiça.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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