O Ministério Público do Tocantins (MPTO) formalizou uma denúncia contra dois policiais militares pelo assassinato de um homem ocorrido em setembro de 2025.
Segundo o órgão, o crime teria sido planejado com antecedência, envolvendo o monitoramento da vítima e uma perseguição que resultou em execução na rodovia TO-181, no trecho entre os municípios de Sandolândia e Araguaçu.
Os dois agentes seguem custodiados no 4º Batalhão da Polícia Militar e o MPTO requer que ambos sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri devido à natureza das qualificadoras apresentadas.
Um dos pontos mais alarmantes destacados pelos promotores de Justiça Jorge José Maria Neto, Célio Henrique Souza, Rodrigo de Souza, Matheus Eurico Borges e Rafael Alamy é que a vítima havia procurado o Ministério Público anteriormente.
Na ocasião, o homem denunciou que estava sendo alvo de perseguições e ameaças por parte de policiais.
Segundo a investigação, o fato de o cidadão ter exercido seu direito constitucional de denunciar abusos foi visto pelos militares como uma afronta. A partir desse relato, os acusados teriam monitorado a vítima durante uma festa em Sandolândia.
Quando o homem deixou o evento em uma motocicleta, durante a madrugada, foi seguido até um ponto deserto da estrada e atingido por oito disparos; três tiros o acertaram nas costas, braço e perna, causando sua morte imediata.
Uso de armamento do Estado
A gravidade do episódio é ampliada pelo uso de recursos públicos para fins criminosos. O MPTO aponta que uma das armas usadas na emboscada pertence ao acervo oficial do Estado, material que deveria servir para a proteção da comunidade.
Para o órgão ministerial, esse desvio de finalidade representa uma ruptura gravíssima na confiança que a sociedade deposita nas forças de segurança.
Emboscada e táticas de extermínio
A peça acusatória sustenta que os PMs agiram com as características de um grupo de extermínio. A denúncia detalha que houve planejamento logístico, uso de veículos e uma espera estratégica em local isolado para garantir que a vítima não tivesse qualquer chance de defesa.
A frieza da operação foi um dos pontos enfatizados pelos promotores.
Fraude processual e destruição de provas
Após o assassinato, os militares teriam tentado encobrir o crime. A investigação revelou ações como:
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Simulação de perda da arma utilizada;
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Pesquisas na internet sobre métodos de rastreamento de celulares;
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Formatação de aparelhos telefônicos para apagar dados.
Devido a essas manobras para enganar a perícia e dificultar o trabalho da justiça, o Ministério Público incluiu também a acusação de fraude processual.
O caso gerou um forte sentimento de indignação e insegurança entre os moradores da região sul, dada a natureza dos envolvidos na ocorrência.






