Igreja do século XVIII corre risco de desabar no sudeste do TO e MP cobra restauração de patrimônio histórico

Igreja do século XVIII corre risco de desabar no sudeste do TO e MP cobra restauração de patrimônio histórico
Foto: Divulgação

 

Construída no século XVIII, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Sant’Ana, em Chapada da Natividade, está em situação de risco e pode sofrer novos desabamentos.

Parte do teto já caiu, assim como toda a parede dos fundos e um trecho da parede lateral. Diante da deterioração da estrutura, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) entrou com uma Ação Civil Pública contra a Paróquia Nossa Senhora de Sant’Ana e o município para exigir medidas capazes de conter os danos e garantir a restauração do templo.

A principal viga de sustentação do telhado apresenta fraturas consideradas graves e pode se romper.

As paredes construídas com tijolos de adobe também ficaram expostas à chuva e ao vento depois dos desabamentos. Segundo o MPTO, os escoramentos instalados no local não são suficientes para eliminar o risco.

A ação foi apresentada no dia 6 pelas Promotorias de Justiça de Natividade e Regional Ambiental da Bacia do Alto e Médio Tocantins.

O Ministério Público pede que a Justiça determine, em caráter liminar, a instalação de uma cobertura provisória impermeável e o reforço do escoramento das paredes e dos elementos de taipa que ainda restam.

Patrimônio histórico

O risco preocupa também pela possibilidade de perda de uma edificação considerada patrimônio histórico, arquitetônico, religioso e cultural do Tocantins.

Construída com técnicas tradicionais de taipa e adobe, a igreja guarda registros ligados ao período colonial e à escravidão.

O espaço também foi palco de celebrações tradicionais da região, como os Festejos do Divino Espírito Santo e manifestações do Congo.

“A edificação tem incomensurável valor histórico, arquitetônico, religioso e cultural para o Estado do Tocantins. Construída no século XVIII com técnicas tradicionais de taipa e adobe, a Igreja Matriz abrigou sepultamentos históricos do período colonial e da escravidão, servindo de palco secular para celebrações da cultura tradicional da região, como os Festejos do Divino Espírito Santo e as manifestações do Congo”, afirma o MP na ação.

Cobrança

A Igreja Matriz de Nossa Senhora de Sant’Ana foi tombada pelo município em 2011, por meio da Lei Municipal nº 176. Por isso, o MPTO entende que tanto a Prefeitura de Chapada da Natividade quanto a paróquia, responsável pelo imóvel, têm deveres relacionados à conservação do patrimônio.

Antes de recorrer à Justiça, o Ministério Público havia recomendado que fossem adotadas providências para preservar a igreja. Segundo a ação, porém, não houve resposta à recomendação.

Restauração

Além das medidas emergenciais para impedir novos desabamentos, o MPTO quer que os responsáveis apresentem, em até 30 dias, um cronograma físico-financeiro detalhando como será feita a restauração completa do templo.

O tamanho do problema aparece no orçamento elaborado em 2025 por uma arquiteta do quadro municipal. Na época, o custo estimado para restaurar a Igreja Matriz foi de R$ 1.026.339,40.

Materiais históricos

A ação também pede que os materiais que se desprenderam da estrutura sejam recolhidos, catalogados e armazenados adequadamente.

A intenção é preservar peças arquitetônicas, elementos históricos e os próprios tijolos de adobe para que possam ser reaproveitados durante a restauração.

A ação civil pública é assinada pelos promotores de Justiça Rodrigo de Souza e Célio Henrique Souza dos Santos.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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