Eleições 2026: veja o que analisar no candidato antes de escolher seu voto; entenda 6 critérios para avaliar propostas e trajetória

Eleições 2026: veja o que analisar no candidato antes de escolher seu voto; entenda 6 critérios para avaliar propostas e trajetória
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Com o primeiro turno das Eleições 2026 marcado para 4 de outubro, muitos eleitores ainda avaliam em quem votar.

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, conhecer as propostas, o histórico e o partido dos candidatos, além de verificar quem financia as campanhas, são alguns dos caminhos para analisar as opções disponíveis antes da votação.

A avaliação também passa por entender o que cada cargo permite fazer. Uma promessa de campanha precisa ser analisada de acordo com as atribuições legais de quem pretende ocupar aquela função.

Antes de analisar os candidatos, o professor de Ciência Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), João Feres Júnior, considera importante que o eleitor compreenda quais são seus próprios interesses políticos e econômicos.

“Por isso é fundamental o eleitor saber quais são seus interesses políticos e econômicos”, afirma.

Segundo Feres, muitos eleitores não têm clareza sobre seus próprios interesses e também não sabem se os candidatos eleitos vão representá-los de fato.

O professor também chama atenção para a dificuldade de encontrar informações de qualidade sobre política, especialmente diante do volume de informações que circulam durante uma eleição.

Saiba o que cada cargo pode fazer

Outro cuidado é entender as atribuições do cargo disputado.

A socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília (UnB), afirma que parte do eleitorado conhece pouco as competências dos cargos legislativos.

“Parte das pessoas tem pouca informação sobre as competências dos legisladores”, diz.

Segundo ela, deputados federais e senadores têm poder para participar da definição da destinação de recursos públicos, seja por meio da aprovação do orçamento ou das emendas parlamentares, mas não executam diretamente as políticas públicas.

“Um senador ou um deputado federal têm muito poder para indicar a destinação das verbas públicas, seja porque aprova o Orçamento [da União], seja por meio de emendas [parlamentares]. Só que eles não executam [as políticas públicas]. Saber isso importa”, afirma.

Na prática, presidente e governadores exercem funções do Poder Executivo. Deputados e senadores atuam no Legislativo, participando da elaboração de leis, fiscalização do Executivo e discussão do orçamento, dentro das competências previstas para cada cargo.

Propostas, histórico e financiamento

Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará (UFC), Francisco Uribam Xavier de Holanda, analisar o conteúdo das campanhas exige tempo e acesso a informações que nem sempre são simples de encontrar.

“Para a maioria das pessoas, é difícil encontrar tempo para fazer isso. Além do mais, é muito complicado para o cidadão se inteirar de algo tão sofisticado quanto os processos de financiamento de campanha, o uso do fundo partidário e os financiamentos privados – que muitas vezes são camuflados”, alerta.

Ele também afirma que muitos candidatos estruturam seus discursos e propostas com base em pesquisas eleitorais, sem necessariamente deixar claros os interesses e grupos que pretendem representar.

Para quem já ocupa cargo político, uma das possibilidades é verificar como o candidato atuou anteriormente, incluindo votações e participação em projetos.

As propostas de governo, a declaração de bens e as informações sobre receitas e despesas de campanha podem ser consultadas no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O partido também entra na análise

A atuação do candidato também está relacionada ao partido ao qual ele pertence.

A cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), explica que os partidos possuem programas e posições políticas que podem orientar a atuação de seus integrantes.

“Cada partido tem seu programa, sua posição política e compõe uma bancada”, destaca.

No Legislativo, essa relação aparece também nas orientações de bancada, quando líderes partidários recomendam aos parlamentares determinado posicionamento em uma votação.

“Daí a importância de o eleitor conhecer não só as propostas e as trajetórias individuais dos candidatos, mas também as posições que o partido ao qual o candidato é filiado costuma adotar; seu programa e a quais outros partidos ele está associado”, acrescenta Naiara.

Entre os pontos que podem ser observados estão as posições históricas da legenda, as pautas apoiadas, sua atuação nas votações e as alianças estabelecidas.

Atenção aos ‘puxadores de voto’

Nas eleições para deputado federal, estadual e distrital, o sistema proporcional faz com que os votos recebidos pelos candidatos também tenham relação com a votação obtida pelo partido ou federação.

O fenômeno dos chamados “puxadores de voto” ganhou notoriedade com a eleição de Tiririca em 2010. Naquele ano, Francisco Everardo Oliveira Silva recebeu mais de 1,35 milhão de votos e ajudou a eleger outros candidatos de sua legenda.

O cientista político Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que partidos podem buscar candidatos com grande visibilidade para ampliar a votação da legenda.

“Por isso, muitas vezes, os partidos buscam celebridades, artistas ou atletas de grande visibilidade, capazes de receber grande número de votos, para fortalecer a legenda e auxiliar na eleição de outros candidatos menos votados”, explica.

Segundo González, mudanças na legislação eleitoral criaram barreiras à eleição de candidatos com votação muito baixa. Ainda assim, ele recomenda que o eleitor conheça a lista de candidatos da legenda.

“É importante o eleitor saber qual a nominata [lista oficial] do partido. E, se for o caso, que não vote [em determinada legenda] motivado por uma única pessoa”, acrescenta.

No dia da votação

O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado em 4 de outubro.

O eleitor pode levar uma anotação em papel com os nomes e números dos candidatos para consultar durante a votação.

O celular, máquinas fotográficas, filmadoras e outros equipamentos que permitam registrar o voto não podem ser utilizados dentro da cabine.

Segundo o TSE, a restrição busca preservar o sigilo do voto e impedir que imagens sejam utilizadas para comprovar a escolha do eleitor.

A manifestação individual e silenciosa de preferência política é permitida no dia da votação, inclusive por meio de broches, adesivos e camisetas. Já manifestações coletivas, abordagem e aliciamento de eleitores são proibidos.

As informações sobre candidatos, propostas, bens e contas eleitorais podem ser consultadas nos sistemas oficiais da Justiça Eleitoral antes da votação.

 

Crédito: Agência Brasil

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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