Controle de celular, localização e perseguição digital estão entre novas formas de violência contra mulher, alerta MPTO

Controle de celular, localização e perseguição digital estão entre novas formas de violência contra mulher, alerta MPTO
Foto: Francisca Coelho/MPTO

 

O controle do celular, o acesso a senhas, o monitoramento da localização e a perseguição pelas redes sociais estão entre as formas de violência contra a mulher que ganharam espaço com o avanço das tecnologias.

O alerta foi feito durante um ciclo de debates promovido pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), em Palmas, dentro da programação do Agosto Lilás.

A violência não necessariamente termina quando a mulher deixa a presença do agressor. Segundo especialistas que participaram do encontro, ferramentas digitais podem permitir que o autor continue acompanhando a rotina da vítima, tenha acesso a informações pessoais e mantenha uma relação de controle mesmo à distância.

A promotora de Justiça Flávia Rodrigues Cunha, coordenadora do Núcleo de Gênero do MPTO (Nugen), destacou que a tecnologia não criou a violência de gênero, mas ampliou os recursos utilizados para praticá-la.

“O ambiente digital não criou a violência de gênero, mas deu a ela novas ferramentas”, afirmou.

Vigilância pelo celular

Entre as situações discutidas no encontro estão o compartilhamento de senhas, o acesso indevido a contas, o uso de ferramentas de localização e a instalação de programas capazes de monitorar aparelhos.

Segundo o policial legislativo federal Antônio Tavares dos Santos Neto, esses recursos podem permitir que o agressor tenha acesso à localização da vítima, mensagens, arquivos, câmera, microfone e outros sensores do celular.

A perseguição digital, conhecida como stalking, também pode aparecer de maneira menos evidente. Um dos sinais citados pelo especialista é quando o agressor passa a saber informações ou aparecer em lugares que não deveria conhecer ou frequentar.

O controle pode começar com senhas e localização e evoluir para vigilância constante, isolamento e perseguição física. Em casos extremos, a escalada pode chegar à violência letal.

“O stalking tem essa capacidade de amplificar a violência psicológica da mulher”, explicou Tavares.

Investigação

A delegada da Polícia Civil do Piauí Eugênia Nogueira do Rêgo Monteiro Villa defendeu que as investigações de crimes contra mulheres considerem a perspectiva de gênero e não se limitem ao episódio isolado.

Segundo ela, elementos encontrados no local do crime, depoimentos, laudos e outros dados podem ajudar a identificar relações de poder, controle, menosprezo ou discriminação presentes na dinâmica da violência.

A especialista também destacou a necessidade de investigação tecnológica nos casos de perseguição e divulgação de conteúdo sem consentimento.

Dificuldade para identificar

Outro problema apontado durante o encontro é que nem sempre a própria vítima reconhece determinadas práticas como violência. A dificuldade aumenta quando o controle é apresentado pelo agressor como uma demonstração de cuidado ou preocupação.

Para Flávia Cunha, identificar esses sinais antes que a violência avance é parte importante da prevenção.

“Se a violência se transforma, a nossa resposta também precisa se transformar”, afirmou.

Manual

Durante o evento, o Nugen também lançou o Manual Institucional – Justiça com Perspectiva de Gênero.

A publicação reúne orientações para a atuação de integrantes do Ministério Público sob a perspectiva de gênero e considera normas nacionais, a Constituição Federal, tratados internacionais de direitos humanos e diretrizes do sistema de Justiça.

O Ciclo de Diálogos Lei Maria da Penha reuniu integrantes do sistema de Justiça, segurança pública, rede de atendimento, estudantes, servidores e representantes de instituições parceiras.

A atividade faz parte das ações do Agosto Lilás e ocorre no ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos.

 

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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