Justiça dá 45 dias para Prefeitura de Palmas reassumir gestão das UPAs e cobra prestação de contas de R$ 139 milhões

Justiça dá 45 dias para Prefeitura de Palmas reassumir gestão das UPAs e cobra prestação de contas de R$ 139 milhões
Foto: Divulgação

 

A Prefeitura de Palmas terá 45 dias para reassumir integralmente a gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul.

A decisão do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) também obriga a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba a apresentar documentos detalhados sobre os recursos recebidos e a depositar judicialmente eventuais valores que não tenham sido utilizados nem estejam comprometidos com despesas comprovadas.

A decisão foi tomada por maioria de votos pela Câmara de Direito Público do TJTO, em sessão realizada em 7 de outubro.

O acórdão foi formalizado nesta quinta-feira, 15, após recursos relacionados à contratação da entidade para administrar as duas unidades de saúde.

O julgamento reformou uma decisão de primeira instância que havia negado o pedido de suspensão da parceria.

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) atua no caso como fiscal da ordem jurídica, em uma Ação Popular que questiona a transferência da gestão.

Contrato previa R$ 139 milhões por ano

A decisão suspende os efeitos dos atos administrativos que autorizaram a transferência da gestão das UPAs para a Santa Casa, incluindo o Termo de Colaboração nº 001/2026, firmado com a Secretaria Municipal da Saúde, cujo valor anual previsto era de aproximadamente R$ 139,2 milhões.

Segundo o MPTO, a proposta de contratação posterior para administrar as unidades passou a prever cerca de R$ 81 milhões, uma diferença de aproximadamente R$ 58 milhões, redução de cerca de 42% em relação ao valor anterior.

O questionamento sobre a economicidade da parceria está entre os pontos analisados pela Justiça, que identificou falhas no procedimento de contratação.

Justiça aponta falhas na contratação

Entre os problemas destacados no acórdão estão a inversão das etapas de planejamento e seleção da entidade, a publicação tardia da justificativa para a dispensa de chamamento público e a falta de comprovação de credenciamento prévio regular.

A decisão também menciona a ausência de deliberação do Conselho Municipal de Saúde sobre a transferência da gestão, divergências orçamentárias e dúvidas sobre a demonstração de que a parceria representaria a opção mais econômica para o município.

Santa Casa terá de prestar contas dos recursos

A entidade tem cinco dias para apresentar uma prestação de contas preliminar e detalhada dos recursos recebidos.

A documentação deverá incluir extratos bancários, folhas de pagamento, escalas médicas, contratos, notas fiscais, comprovantes de despesas e a relação das obrigações financeiras assumidas.

Em até 15 dias, a Santa Casa deverá depositar judicialmente o saldo financeiro que não tenha sido utilizado nem esteja legitimamente comprometido com despesas comprovadas ou indispensáveis à continuidade dos serviços durante a transição.

Pagamentos a profissionais, fornecedores e outros compromissos essenciais estarão sujeitos à fiscalização judicial. A liberação poderá ocorrer após análise dos documentos e manifestação do Ministério Público.

Em caso de descumprimento, foram estabelecidas multas diárias de R$ 20 mil, limitadas a R$ 800 mil para o município e para a entidade, conforme as obrigações de cada um.

O prefeito de Palmas, a secretária municipal da Saúde e o representante legal da Santa Casa deverão ser intimados pessoalmente.

MPTO questiona transferência desde abril

O Ministério Público acompanha o caso desde abril e aponta possíveis irregularidades na contratação da Santa Casa para administrar as duas unidades.

Além das falhas no procedimento de contratação e da falta de transparência, o órgão questionou a ausência de participação do Conselho Municipal de Saúde e o aumento dos custos sem demonstração de ampliação proporcional dos serviços.

Em abril, uma decisão individual do TJTO havia determinado a suspensão do contrato e a retomada da gestão municipal em 15 dias.

Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu os efeitos dessa medida até o julgamento colegiado dos recursos.

A atuação do MPTO também incluiu a apresentação de provas colhidas pela Polícia Civil sobre possíveis irregularidades na contratação e inspeções nas unidades de saúde.

As vistorias identificaram problemas relacionados à assistência pediátrica, à classificação de risco dos pacientes e ao controle de medicamentos, entre outros pontos.

Em setembro, diante de uma nova tentativa de terceirização, promotores de Justiça recomendaram a anulação do aviso de chamamento público e a suspensão do procedimento até a correção das irregularidades apontadas.

Entre as exigências estavam estudos comparativos entre os custos da gestão direta e terceirizada, participação do Conselho Municipal de Saúde e planejamento das equipes, considerando a existência de concurso público vigente.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
Compartilhe:
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Mais Notícias