MP recomenda anulação de novo edital para terceirizar as UPAs de Palmas; veja os pontos questionados

MP recomenda anulação de novo edital para terceirizar as UPAs de Palmas; veja os pontos questionados
Foto: Divulgação/Prefeitura de Palmas

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) recomendou que a Secretaria Municipal da Saúde suspenda o processo para terceirizar a gestão das duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas.

O órgão também orientou que o aviso de chamamento público seja anulado até que sejam corrigidas falhas apontadas no procedimento.

A recomendação foi encaminhada à secretária municipal da Saúde nessa segunda-feira, 28, após o Ministério Público analisar o processo aberto pela Prefeitura para selecionar uma organização da sociedade civil responsável pela gestão e operacionalização das UPAs Norte e Sul.

O Chamamento Público nº 001/2026 foi publicado pelo município no dia 21 de setembro.

Entre os pontos questionados está a ausência de um estudo de economicidade. Segundo o MPTO, a Prefeitura deve comparar os custos da manutenção da gestão direta com aqueles previstos para a administração terceirizada e demonstrar qual modelo é mais vantajoso para o poder público antes de avançar com o chamamento.

O Ministério Público também aponta que a proposta deveria ter sido encaminhada previamente ao Conselho Municipal de Saúde, responsável pela participação e pelo controle social na política municipal de saúde.

Segundo o procedimento, a própria Secretaria Municipal da Saúde informou ao MPTO que a proposta não havia sido submetida ao colegiado.

Servidores e concurso público também são citados

A recomendação pede ainda que a Secretaria apresente um planejamento detalhado sobre a composição das equipes das duas UPAs, incluindo a proporção entre servidores efetivos e contratados.

O MPTO cita o que ocorreu na última mudança de gestão das unidades, quando 467 servidores concursados que trabalhavam nas UPAs foram removidos compulsoriamente.

A medida resultou em questionamentos na Justiça por meio de um mandado de segurança coletivo.

Outro ponto levantado pelo Ministério Público é a existência de um concurso público vigente para a área da Saúde.

Segundo o levantamento mencionado na recomendação, ainda existem 397 vagas de provimento imediato que não foram preenchidas. O resultado final do concurso foi homologado em julho de 2024.

Prefeitura terá prazo para responder

A secretária municipal da Saúde terá 10 dias para informar ao MPTO se irá acatar as recomendações.

O documento é assinado pelos promotores de Justiça Araína Cesárea, que atua na defesa da Saúde, e Vinícius de Oliveira e Silva e Rodrigo Grisi Nunes, que atuam na defesa do patrimônio público.

Processo anterior também é citado

Na recomendação, o Ministério Público faz referência à tentativa anterior de transferência da gestão das UPAs.

Segundo o documento, aquele processo apresentava indícios de superfaturamento e previa um custo anual superior a R$ 139 milhões.

O procedimento anterior também resultou em questionamentos judiciais, incluindo uma ação que buscava sua nulidade e uma denúncia criminal contra três pessoas por suspeitas relacionadas aos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

A nova tentativa de terceirização, por enquanto, permanece sob análise. A recomendação do MPTO não representa, por si só, uma decisão judicial sobre a legalidade do chamamento público.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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