Justiça condena três pessoas por fraude em cartório que criou registros de mais de 5 mil hectares de terras falsas no TO

Justiça condena três pessoas por fraude em cartório que criou registros de mais de 5 mil hectares de terras falsas no TO
Foto: Divulgação/MPTO

 

Um imóvel rural de 310,6 hectares foi usado como ponto de partida para a criação de documentos que somavam mais de 5 mil hectares de terras.

As certidões eram falsas e teriam sido utilizadas na comercialização das áreas para produtores rurais interessados em destiná-las como Reserva Legal.

A fraude foi investigada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e terminou com a condenação de três pessoas.

A ex-oficiala substituta do Cartório de Registro de Imóveis de Paranã Maíra Nunes Paula e os irmãos Rafael Neves Prudente e Ricardo Neves Prudente receberam a mesma pena: cinco anos e dez meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de multa. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.

11 certidões falsas

A investigação começou a partir da matrícula nº 452, referente ao imóvel rural de 310,6 hectares. A partir desse registro verdadeiro, foram produzidas 11 certidões falsas de imóveis que, somados, ultrapassavam cinco mil hectares.

Um dos indícios chamou a atenção durante a análise dos documentos. O proprietário apontado como vendedor das áreas em transações registradas nos anos de 1990 e 1995 havia morrido em 1965.

As áreas fictícias chegaram a ser encaminhadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para análise cadastral.

Áreas divididas para driblar fiscalização

As investigações apontaram que as terras criadas apenas nos documentos eram divididas em parcelas menores que 500 hectares.

O objetivo, segundo o caso analisado pela Justiça, era evitar a exigência de georreferenciamento para a emissão do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural.

Com a documentação aparentemente regular, as áreas poderiam ser negociadas mesmo sem corresponder a imóveis existentes da forma descrita nas certidões.

Interceptações telefônicas autorizadas judicialmente também foram usadas na investigação. Nas conversas, apareceram negociações de propina a servidores públicos para tentar viabilizar o registro das áreas fictícias em órgãos ambientais e agrários.

A intenção seria regularizar documentalmente os espaços que seriam utilizados como Reserva Legal de propriedades de terceiros.

Função de cada condenado

Segundo a investigação, os três tinham papéis diferentes na operação.

Maíra Nunes Paula, que atuava como oficiala substituta do cartório, era responsável pela produção da documentação registral falsa.

Ricardo Neves Prudente fazia a articulação e acompanhava a tramitação dos documentos nos órgãos públicos. Rafael Neves Prudente participava da comercialização das áreas.

As movimentações financeiras também foram analisadas pelo Gaeco. Um relatório técnico apontou valores recebidos pelos irmãos e repasses posteriores para Maíra.

Entre as operações consideradas na decisão estão depósitos de R$ 231 mil e R$ 348,3 mil nas contas de Rafael e Ricardo, além de transferências feitas por Ricardo para Maíra.

Fraude provocou conflitos

A sentença considerou não apenas a falsificação dos documentos, mas também os efeitos provocados pela criação das áreas fictícias.

Segundo a decisão, o esquema gerou insegurança fundiária em Paranã, contribuiu para a desvalorização do preço médio dos imóveis rurais e provocou conflitos judiciais entre compradores das áreas fictícias e os verdadeiros ocupantes das terras.

A ação penal foi baseada em diferentes elementos reunidos durante a investigação, entre eles informações bancárias, análises técnicas e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

Os três condenados podem recorrer da decisão.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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