Ministros do STF defendem rediscutir fim do diploma obrigatório para jornalistas decidido pela própria Corte em 2009

Ministros do STF defendem rediscutir fim do diploma obrigatório para jornalistas decidido pela própria Corte em 2009
Foto: Victor Piemonte/STF

Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defenderam nessa terça-feira, 18, que a Corte volte a discutir a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. A obrigatoriedade foi derrubada pelo próprio Supremo em 2009.

A discussão surgiu durante uma sessão da Primeira Turma do STF, em um julgamento que envolveu o direito de resposta da TV Globo em uma reportagem sobre uma clínica médica citada em uma denúncia de assédio sexual.

O debate acabou alcançando os limites da liberdade de imprensa e a atuação de pessoas que produzem conteúdo jornalístico fora dos veículos tradicionais.

Dino afirmou que a decisão tomada em 2009 se tornou um complicador para a análise de situações relacionadas à liberdade de imprensa.

O ministro questionou a extensão das garantias destinadas à atividade jornalística a qualquer pessoa que publique conteúdo na internet.

Durante a sessão, ele citou a possibilidade de grupos criminosos se aproveitarem da ausência de exigência de formação para colocar integrantes no exercício da atividade de blogueiro.

Moraes também defendeu a regulamentação da profissão. Segundo ele, a liberdade de imprensa não pode ser usada como justificativa para práticas criminosas, ataques contra a honra ou disseminação de desinformação.

Decisão 

Em junho de 2009, o Supremo julgou o Recurso Extraordinário 511.961 e decidiu, por 8 votos a 1, que era inconstitucional exigir diploma de curso superior em Jornalismo e registro profissional como condição para exercer a profissão.

A maioria dos ministros entendeu que o Decreto-Lei nº 972/1969, que estabelecia essas exigências, não havia sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988. O único voto contrário foi o do ministro Marco Aurélio.

Novo debate 

Dino e Moraes não faziam parte do STF quando a decisão foi tomada. A defesa de uma nova discussão ocorre agora em meio a um julgamento sobre direito de resposta e aos debates sobre os limites da liberdade de imprensa diante da atuação de jornalistas, blogueiros e produtores de conteúdo nas redes sociais.

A discussão também ocorre após entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) demonstrarem preocupação com medidas determinadas por Moraes no caso envolvendo o jornalista maranhense Luís Pablo.

As entidades questionaram uma decisão que permitiu a identificação de uma fonte do jornalista. Moraes, por sua vez, afirma que a investigação envolve suspeitas de monitoramento ilegal da rotina dele e de familiares.

A manifestação dos ministros não altera a regra atualmente em vigor. O diploma de Jornalismo continua sem ser uma exigência legal para o exercício da profissão.

Para que isso mudasse, seria necessária uma nova decisão do Supremo ou alteração legislativa compatível com a Constituição.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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