Após anos de falhas, Justiça aumenta para R$ 10 mil multa diária contra Estado por falta de obstetras em hospital de Gurupi

Após anos de falhas, Justiça aumenta para R$ 10 mil multa diária contra Estado por falta de obstetras em hospital de Gurupi
Foto: Marcelo de Deus - dicom MPTO

 

A Justiça aumentou para R$ 10 mil por dia a multa aplicada ao Estado pelo descumprimento de uma decisão que determina a manutenção de médicos obstetras no Hospital Regional de Gurupi (HRG), no sul do Tocantins. A penalidade poderá chegar a R$ 1 milhão.

O governo e a Secretaria de Estado da Saúde terão 15 dias para apresentar documentos que comprovem a regularização do atendimento obstétrico 24 horas na maternidade do hospital.

A nova decisão ocorreu após o Ministério Público do Tocantins (MPTO) demonstrar que o problema se repete há anos, mesmo depois de determinações judiciais para garantir o funcionamento regular do serviço. A situação afeta moradores dos 19 municípios atendidos pela macrorregião Sul do Estado.

Gestante ficou três dias sem especialista

Um dos casos recentes levados pelo MPTO à Justiça envolve uma gestante de alto risco que foi encaminhada de Sandolândia para o Hospital Regional de Gurupi.

Ela chegou à unidade com óbito fetal e permaneceu internada por cerca de três dias sem receber avaliação de um médico obstetra.

Durante a apuração, a própria direção do hospital informou oficialmente que não havia médico obstetra de plantão nos dias 5 e 6 de maio de 2026.

Para o promotor de Justiça Marcelo Lima Nunes, a falta de profissionais representa uma falha que se prolonga no tempo e compromete um serviço essencial de saúde, além de colocar gestantes e recém-nascidos em situação de risco.

Problema se arrasta há 10 anos

A cobrança do MPTO começou em 2016, quando foi apresentada uma Ação Civil Pública diante dos problemas nas escalas de médicos da maternidade do HRG.

A sentença se tornou definitiva em junho de 2019 e determinou que o Estado mantivesse equipes médicas completas no setor de obstetrícia.

Mesmo depois da decisão, segundo o Ministério Público, as falhas continuaram. Diante da repetição dos problemas, a Promotoria de Justiça de Gurupi voltou à Justiça para exigir o cumprimento da determinação.

Multa maior

Ao analisar o pedido, a Justiça rejeitou a tentativa do Estado de retirar ou reduzir as penalidades que já haviam sido estabelecidas.

O entendimento foi de que o aumento da multa é necessário para pressionar o cumprimento da ordem judicial e garantir a continuidade do atendimento obstétrico.

A nova penalidade ficou estabelecida em R$ 10 mil por dia, limitada a R$ 1 milhão.

Pedido contra secretário foi negado

Na mesma ação, o MPTO também pediu o afastamento do secretário de Estado da Saúde. O pedido, porém, foi negado pela Justiça.

Agora, o Estado e a Secretaria de Saúde deverão comprovar, dentro do prazo de 15 dias, que o atendimento obstétrico 24 horas no Hospital Regional de Gurupi está regularizado.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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