Após alta de 80% nas mortes de pacientes com câncer, MP cobra explicações sobre atendimento no HGP

Após alta de 80% nas mortes de pacientes com câncer, MP cobra explicações sobre atendimento no HGP
Foto: André Araújo/Governo do Tocantins

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) fixou uma série de diretrizes urgentes para resguardar a assistência aos pacientes durante a transferência dos serviços de oncologia do Hospital Geral de Palmas (HGP) para o Hospital de Amor.

Os primeiros prazos para o envio de relatórios técnicos e cronogramas operacionais venceram na última segunda-feira, 8.

As medidas foram definidas em audiência conduzida pela promotora de Justiça Araína Cesárea, titular da 27ª Promotoria de Justiça da Capital.

O encontro de alinhamento reuniu representantes da Secretaria Estadual da Saúde (SES), da direção do HGP e da administração do Hospital de Amor para traçar soluções contra o desabastecimento de farmácia, as filas de espera e os gargalos estruturais.

Ficou acordado que a SES deve detalhar a lista de medicamentos em falta na ala oncológica do HGP, especificando os substitutos terapêuticos e os prazos de entrega das licitações em curso.

Por sua vez, o Hospital de Amor precisa comprovar a regularização de seus cadastros administrativos e sanar pendências físicas identificadas na nova estrutura.

Queda na assistência e aumento nos índices de mortalidade

Um dos pontos mais alarmantes discutidos pela Promotoria diz respeito à severa redução da capacidade de atendimento no HGP, motivada pelo desligamento e saída de profissionais especializados da área de oncologia.

Atualmente, o cenário é classificado como crítico, com pacientes enfrentando até 60 dias de espera apenas para consultas de retorno.

O reflexo da desassistência foi evidenciado em indicadores estatísticos apresentados na reunião: houve um salto de 59% nas internações e um aumento expressivo de 80% nos óbitos na ala oncológica, comparando os meses de abril e maio de 2025 com o mesmo período de 2026.

O MPTO exigiu um diagnóstico detalhado para apurar a causa direta desse aumento na mortalidade.

A demanda reprimida também pressiona o sistema. Na especialidade de urologia, por exemplo, a fila de espera já acumula 253 pessoas.

As instituições terão de estratificar esses dados, separando quem necessita iniciar o tratamento daqueles que já se encontram em acompanhamento regular.

Desabastecimento crônico de fármacos básicos

A falta de insumos essenciais para o suporte aos pacientes com câncer centralizou os debates. Relatos técnicos apontaram a escassez de medicamentos fundamentais no HGP, incluindo analgésicos e corticoides de uso contínuo, como:

  • Morfina;

  • Dexametasona;

  • Aciclovir.

A Secretaria Estadual da Saúde justificou que o desabastecimento é reflexo de entraves burocráticos em processos licitatórios e comprometeu-se a apresentar o plano de contingência e as datas de reabastecimento imediato desses itens.

Monitoramento dos novos fluxos de atendimento

O MPTO atua de forma permanente na fiscalização da transferência de gestão e exige garantias de que o Hospital de Amor terá condições técnicas de absorver toda a demanda da rede estadual.

Além do tratamento convencional de quimioterapia e radioterapia, a Promotoria monitora a implementação das subespecialidades na nova unidade, cobrando estruturas específicas para a oncopediatria, o setor de cuidados paliativos e o serviço de odontologia oncológica, além de um canal transparente de comunicação com os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). As providências e auditorias seguirão de forma escalonada ao longo do mês de junho.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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