MP denuncia PMs por emboscada e execução de homem que havia denunciado ameaças no sul do TO

MP denuncia PMs por emboscada e execução de homem que havia denunciado ameaças no sul do TO
Foto: Marcelo de Deus/Dicom MPTO

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) formalizou uma denúncia contra dois policiais militares pelo assassinato de um homem ocorrido em setembro de 2025.

Segundo o órgão, o crime teria sido planejado com antecedência, envolvendo o monitoramento da vítima e uma perseguição que resultou em execução na rodovia TO-181, no trecho entre os municípios de Sandolândia e Araguaçu.

Os dois agentes seguem custodiados no 4º Batalhão da Polícia Militar e o MPTO requer que ambos sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri devido à natureza das qualificadoras apresentadas.

Um dos pontos mais alarmantes destacados pelos promotores de Justiça Jorge José Maria Neto, Célio Henrique Souza, Rodrigo de Souza, Matheus Eurico Borges e Rafael Alamy é que a vítima havia procurado o Ministério Público anteriormente.

Na ocasião, o homem denunciou que estava sendo alvo de perseguições e ameaças por parte de policiais.

Segundo a investigação, o fato de o cidadão ter exercido seu direito constitucional de denunciar abusos foi visto pelos militares como uma afronta. A partir desse relato, os acusados teriam monitorado a vítima durante uma festa em Sandolândia.

Quando o homem deixou o evento em uma motocicleta, durante a madrugada, foi seguido até um ponto deserto da estrada e atingido por oito disparos; três tiros o acertaram nas costas, braço e perna, causando sua morte imediata.

Uso de armamento do Estado

A gravidade do episódio é ampliada pelo uso de recursos públicos para fins criminosos. O MPTO aponta que uma das armas usadas na emboscada pertence ao acervo oficial do Estado, material que deveria servir para a proteção da comunidade.

Para o órgão ministerial, esse desvio de finalidade representa uma ruptura gravíssima na confiança que a sociedade deposita nas forças de segurança.

Emboscada e táticas de extermínio

A peça acusatória sustenta que os PMs agiram com as características de um grupo de extermínio. A denúncia detalha que houve planejamento logístico, uso de veículos e uma espera estratégica em local isolado para garantir que a vítima não tivesse qualquer chance de defesa.

A frieza da operação foi um dos pontos enfatizados pelos promotores.

Fraude processual e destruição de provas

Após o assassinato, os militares teriam tentado encobrir o crime. A investigação revelou ações como:

  • Simulação de perda da arma utilizada;

  • Pesquisas na internet sobre métodos de rastreamento de celulares;

  • Formatação de aparelhos telefônicos para apagar dados.

Devido a essas manobras para enganar a perícia e dificultar o trabalho da justiça, o Ministério Público incluiu também a acusação de fraude processual.

O caso gerou um forte sentimento de indignação e insegurança entre os moradores da região sul, dada a natureza dos envolvidos na ocorrência.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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