MPTO reúne rede de proteção para corrigir falhas no monitoramento eletrônico de investigados por violência doméstica

MPTO reúne rede de proteção para corrigir falhas no monitoramento eletrônico de investigados por violência doméstica
Foto: Divulgação/MPTO

 

Com o intuito de otimizar a fiscalização e garantir a segurança de mulheres sob medida protetiva, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) promoveu uma reunião técnica nessa segunda-feira, 23, com diversos órgãos da Rede de Proteção. O encontro buscou alinhar o fluxo de monitoramento eletrônico e solucionar gargalos operacionais que afetam tanto a capital quanto o interior do estado.

A promotora de Justiça Flávia Rodrigues Cunha, coordenadora do Núcleo de Gênero (Nugen), enfatizou a urgência de consolidar um protocolo de atuação que integre a Polícia Penal, a Central de Monitoramento, a Secretaria da Cidadania e Justiça (Seciju), a Guarda Metropolitana e o Judiciário.

Um dos entraves identificados é o atraso na comunicação após as audiências de custódia. “Entre os principais problemas, está a demora na comunicação à Central de Monitoramento após audiência de custódia que determina o uso da tornozeleira eletrônica. Em alguns casos, pode haver intervalo de até um dia entre a decisão judicial e o efetivo cadastramento no sistema, período em que a vítima permanece sem informação formal sobre o início do monitoramento”, pontuou a promotora de Justiça.

Atualmente, o Tocantins monitora 1.153 pessoas, enquanto cerca de 800 aguardam pela disponibilidade de tornozeleiras eletrônicas. Embora os casos de violência doméstica tenham prioridade, o número limitado de aparelhos compromete o cumprimento de decisões judiciais. O processo licitatório para a compra de novos equipamentos, iniciado em 2024, ainda enfrenta entraves jurídicos após sofrer impugnações.

Outro ponto crítico é a precisão dos dados das vítimas. O promotor Konrad Cesar Resende Wimmer destacou que falhas no cadastro impedem a eficácia das “zonas de exclusão”. “É fundamental estruturarmos um cadastro atualizado de vítimas. Muitas vezes o telefone não atende, o endereço mudou, e isso dificulta a criação da zona de exclusão. A informação qualificada é o que garante proteção efetiva”.

Alinhamento com diretrizes nacionais

A ação do MPTO responde a um movimento nacional iniciado em 2025, após solicitação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), para fiscalizar e aprimorar o monitoramento eletrônico. O objetivo é identificar falhas sistêmicas e propor melhorias na comunicação entre as instituições de segurança e o Judiciário.

Unificação da Rede de Proteção

O encontro reuniu representantes da Polícia Militar, SSPTO, TJTO e Guarda Metropolitana. A inspetora Letícia Bordin, coordenadora da Patrulha Mulher Segura, celebrou a mudança de postura no enfrentamento do problema:

“Eu fico muito feliz, porque esse trabalho precisa estar conectado. Nós precisamos saber o que está acontecendo na realidade institucional de cada membro da rede. Esses avanços, principalmente na questão da tecnologia e do monitoramento, são imprescindíveis para que possamos evitar os índices alarmantes de feminicídios e de agressões físicas contra as nossas mulheres”, afirmou.

Para a inspetora, o diálogo coletivo é o caminho para o progresso. “Estou muito satisfeita e acredito que essa reunião é um marco de transformação. Poucas vezes nos reunimos para buscar soluções, muitas vezes buscamos culpados, e, aqui, estamos buscando soluções”, completou.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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