MPTO recomenda que Bombeiros e Defesa Civil mudem regra que exige corte de cabelo de brigadistas após denúncia de discriminação

 

Para garantir mais respeito à diversidade e aos direitos humanos, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) recomendou que a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros revisem uma norma interna que obriga os brigadistas voluntários a cortarem o cabelo no estilo militar. A exigência é considerada um possível desrespeito à liberdade religiosa e à identidade cultural.

A recomendação foi feita pela 15ª Promotoria de Justiça de Palmas e tem como objetivo tornar os ambientes institucionais mais acolhedores e igualitários. O MPTO destacou que regras que exigem um padrão único de aparência podem acabar excluindo pessoas, principalmente aquelas com crenças religiosas ou tradições culturais específicas.

Entre as orientações enviadas estão:

  • Revisar as normas internas sobre aparência pessoal;

  • Promover diálogo com entidades que trabalham com igualdade racial e liberdade religiosa;

  • Realizar treinamentos sobre diversidade e direitos humanos;

  • Criar e divulgar um código de conduta com regras de respeito à diversidade;

  • Disponibilizar canais fáceis para denúncias de discriminação;

  • Proteger quem denunciar e também os voluntários do programa.

As instituições têm 10 dias para informar ao MPTO o que pretendem fazer e apresentar um cronograma de como vão colocar as medidas em prática.

Denúncia motivou a ação

Essa recomendação faz parte de uma investigação aberta pelo MPTO depois que um candidato aprovado no processo seletivo para brigadistas procurou ajuda. Ele faz parte de uma comunidade quilombola e segue a religião rastafári, que valoriza o uso de cabelos longos. Segundo a denúncia, ele foi orientado a cortar os cabelos para continuar no programa, conforme uma portaria interna dos Bombeiros.

Corte obrigatório pode ferir direitos constitucionais

O promotor de Justiça Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira afirmou que essa exigência pode violar direitos fundamentais garantidos pela Constituição e por tratados internacionais, como a liberdade de crença, a preservação da identidade cultural e o princípio da igualdade principalmente quando a regra atinge comunidades historicamente discriminadas.

Outras medidas estão em andamento

Como parte das investigações, o MPTO também pediu explicações ao Corpo de Bombeiros sobre a justificativa da norma. Além disso, a Delegacia Especializada de Atendimento às Populações Vulneráveis foi acionada para apurar se houve discriminação no caso denunciado.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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