TCE cobra explicações da ATR sobre falta de prevenção à crise hídrica em Paraíso do Tocantins

TCE cobra explicações da ATR sobre falta de prevenção à crise hídrica em Paraíso do Tocantins
Foto: Divulgação/montagem

 

A crise no abastecimento de água em Paraíso do Tocantins levou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO) a cobrar explicações da Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (ATR).

O órgão deverá detalhar as providências adotadas para prevenir a falta de água, especialmente após os alertas emitidos pelo próprio Tribunal em agosto deste ano.

A determinação consta no Despacho nº 1022/2026, assinado na terça-feira (20) pela conselheira Doris de Miranda Coutinho, titular da 5ª Relatoria.

O presidente da ATR, Aldison Wiseman Barros de Lyra, terá cinco dias úteis para apresentar documentos e esclarecimentos sobre a atuação da agência diante do risco de desabastecimento.

A cobrança ocorre em meio ao racionamento programado implantado pela concessionária BRK Ambiental/Saneatins em Paraíso, em razão da baixa vazão do Rio do Coco.

O Tribunal quer verificar se as recomendações preventivas feitas anteriormente foram colocadas em prática e se a fiscalização foi suficiente para reduzir os riscos à população.

Fiscalização sob análise

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão as ações de fiscalização realizadas pela ATR após o alerta de agosto, a avaliação das condições de abastecimento em Paraíso e as medidas adotadas para evitar ou amenizar os efeitos da crise hídrica.

A agência também precisará informar se recebeu e analisou o Plano Municipal de Saneamento Básico e quais medidas de contingência e emergência estão previstas para situações como a enfrentada pelo município.

A solicitação foi motivada por uma análise da Coordenadoria de Análise de Atos, Contratos e Fiscalização de Obras e Serviços de Engenharia (Caeng), do TCE-TO.

A equipe técnica identificou possíveis falhas na atuação preventiva e fiscalizatória da agência reguladora.

Alertas foram emitidos em agosto

Em 13 de agosto, antes do agravamento da situação em Paraíso, o Tribunal havia alertado a ATR, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) sobre os riscos de escassez hídrica no estado.

A preocupação considerava projeções climáticas associadas ao fenômeno El Niño, que indicavam a possibilidade de estiagem prolongada, temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e incêndios florestais, com possíveis consequências para o abastecimento de água.

Na ocasião, a orientação à ATR foi intensificar a atuação junto às concessionárias responsáveis pelo serviço nos municípios sob sua regulação, incluindo aqueles atendidos pela BRK Ambiental.

O objetivo era verificar se os planos de emergência e contingência estavam atualizados e preparados para responder a períodos críticos.

As recomendações também incluíam o monitoramento dos rios e das fontes de captação, a avaliação da capacidade de armazenamento, o reparo de vazamentos, a redução de perdas na distribuição e a realização de campanhas de consumo consciente.

Outros municípios entram no radar

A cobrança do TCE-TO não se restringe a Paraíso. A ATR deverá apresentar um levantamento das cidades sob sua regulação que possam enfrentar dificuldades no abastecimento.

O documento precisa identificar as localidades em risco, as concessionárias responsáveis, as fontes de captação de água, os problemas existentes e as providências preventivas já adotadas ou ainda em andamento.

Com base nas informações, o Tribunal poderá avaliar a situação de outros municípios e, se necessário, determinar novas medidas.

A análise ficará a cargo dos relatores responsáveis por cada caso, considerando as circunstâncias e as providências adotadas pelos órgãos envolvidos.

Falta de resposta pode gerar multa

Depois do prazo de cinco dias úteis, os documentos enviados pela ATR serão examinados pela equipe técnica do Tribunal.

O despacho prevê que a ausência de resposta sem justificativa poderá levar à abertura de representação e à aplicação de multa, conforme a legislação.

análise deverá esclarecer se a agência cumpriu suas atribuições de fiscalização e se as medidas adotadas foram compatíveis com os riscos de desabastecimento identificados.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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