Crise hídrica em Paraíso leva Prefeitura à Justiça e amplia pressão sobre a BRK por falta de água

Crise hídrica em Paraíso leva Prefeitura à Justiça e amplia pressão sobre a BRK por falta de água
Foto: Davi Andrade Melo/Ascom

 

A Prefeitura de Paraíso do Tocantins intensificou as medidas contra as falhas no abastecimento de água no município.

Entre 30 de outubro e 1º de novembro, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) acionou órgãos de fiscalização, defesa do consumidor e o Poder Judiciário para cobrar providências da BRK Ambiental, responsável pelo serviço.

As iniciativas buscam garantir o fornecimento de água à população, ampliar a fiscalização da concessionária e proteger os consumidores prejudicados pelo desabastecimento.

As medidas foram adotadas após notificações encaminhadas à concessionária e diante da continuidade dos problemas no abastecimento.

Segundo a Procuradoria-Geral, os documentos também apontam falhas relacionadas à qualidade da água, ao racionamento e à atuação da Agência Tocantinense de Regulação (ATR).

Em 31 de outubro, a Prefeitura protocolou uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO), com pedido de medida cautelar de urgência.

O município solicita que a ATR seja obrigada a instaurar um procedimento de fiscalização contra a BRK e encaminhe, em até 48 horas, a minuta do convênio de cooperação técnica com a Prefeitura.

O pedido inclui ainda uma auditoria emergencial e o encaminhamento do caso aos órgãos competentes para apuração de responsabilidades.

ANA recebe representação

Em 1º de novembro, a Prefeitura apresentou uma representação administrativa à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

O município pede que a agência fiscalize o cumprimento das normas nacionais de saneamento pela concessionária e pela agência reguladora estadual.

Entre as solicitações estão uma vistoria técnica em Paraíso e a apuração de possíveis irregularidades no racionamento, na qualidade da água distribuída e nas perdas registradas na rede.

Procon é acionado

Na defesa dos consumidores, a Prefeitura também acionou o Procon Tocantins para solicitar medidas de proteção aos moradores prejudicados pela interrupção ou precariedade do abastecimento.

O município pede que os consumidores não sejam cobrados integralmente por um serviço prestado de forma inadequada.

A solicitação inclui descontos proporcionais nas tarifas de água e esgoto, proibição de cortes por inadimplência durante a emergência hídrica e apresentação de laudos sobre a qualidade da água.

A Prefeitura também requer uma força-tarefa de fiscalização no município.

Justiça determina abastecimento

A Prefeitura obteve uma decisão liminar que determina o fornecimento diário de água a 68 moradores acamados, identificados pelas equipes municipais de Saúde e Assistência Social. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 50 mil.

Além disso, em 30 de outubro, o município solicitou ingresso como parte ao lado do Ministério Público do Tocantins em uma Ação Civil Pública que discute a prestação do serviço pela BRK.

Na petição, a Prefeitura pede que a concessionária apresente e execute um plano emergencial de abastecimento para unidades de saúde, creches, escolas, órgãos públicos essenciais e moradores acamados.

O município também solicita a intensificação do uso de poços e dos reparos de vazamentos na rede de distribuição.

Medidas emergenciais continuam

Enquanto os pedidos são analisados pelos órgãos de controle e pela Justiça, a Prefeitura mantém ações para reduzir os impactos da crise hídrica.

Entre as medidas estão a instalação de seis pontos gratuitos de distribuição de água potável, disponíveis 24 horas por dia em diferentes regiões de Paraíso, além da distribuição de água à população com apoio das equipes municipais.

As representações apresentadas aos órgãos de controle e defesa do consumidor aguardam análise e providências.

A Procuradoria-Geral do Município sustenta que a concessionária deve garantir um serviço contínuo, seguro e adequado, enquanto os órgãos reguladores precisam exercer suas atribuições de fiscalização.

A Prefeitura informou que continuará acompanhando os procedimentos administrativos e judiciais e cobrando da BRK Ambiental soluções efetivas para regularizar o abastecimento e garantir os direitos da população.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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