Contas de energia no Tocantins passam a exibir número 180 para denúncias de violência contra a mulher

Contas de energia no Tocantins passam a exibir número 180 para denúncias de violência contra a mulher
Foto: Divulgação/Energisa

 

Em um projeto pioneiro no Brasil, as empresas de distribuição de eletricidade adotaram uma nova estratégia de utilidade pública ao incluir o número 180 nas faturas mensais. A ideia é aproveitar a capilaridade da conta de luz para facilitar o contato de mulheres com a rede de proteção contra a violência doméstica.

No Tocantins, a medida impacta os mais de 700 mil consumidores atendidos pela Energisa nos 139 municípios do estado.

Fruto de uma cooperação com o Governo Federal através do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, a ação já atinge cerca de 212 milhões de cidadãos em todo o país. No território tocantinense, os boletos de março já trazem o alerta em destaque no campo laranja: “Violência contra a mulher é crime. Não se cale. Denuncie. Ligue 180”.

O papel social das distribuidoras

A escolha da conta de luz como suporte para a mensagem não é por acaso, dada a sua presença garantida na rotina das famílias. Andrea Albernaz, coordenadora de leitura da Energisa Tocantins, explica a motivação.

“Assim como a energia elétrica está presente no dia a dia das famílias, queremos que a informação sobre o 180 também chegue de forma contínua e acessível. Ao incluir esse canal na conta de luz, reforçamos nosso papel social e contribuímos para que mais mulheres saibam onde buscar ajuda em situações de violência”.

Dados alarmantes reforçam a necessidade da ação

A iniciativa surge em um momento crítico. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, uma alta de 4,7% se comparado ao ano anterior.

No Tocantins, a gravidade se reflete nas estatísticas da Polícia Militar. São aproximadamente 640 chamadas mensais pelo 190 relacionadas a casos de violência doméstica uma média de 20 pedidos de socorro por dia.

A demanda pelo canal 180 também é alta. Apenas em janeiro de 2026, foram realizados mais de 90 mil atendimentos. Para a presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Patrícia Audi, a estratégia visa quebrar o isolamento das vítimas.

“Levar o 180 para dentro dos lares por meio da conta de luz é uma estratégia necessária para ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de proteção. Muitas mulheres ainda enfrentam barreiras para denunciar ou não sabem onde buscar ajuda. Quando essa informação chega de forma direta e permanente, aumentamos as chances de romper o ciclo da violência”.

Sobre o serviço 180

O canal de atendimento à mulher é totalmente gratuito, sigiloso e opera ininterruptamente. Além de receber denúncias, o serviço presta esclarecimentos sobre direitos e legislação vigente, direcionando as mulheres para órgãos especializados e autoridades policiais sob total garantia de anonimato.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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