Justiça anula venda irregular de casa popular após beneficiária lucrar R$ 23 mil com programa social no interior do TO

Justiça anula venda irregular de casa popular após beneficiária lucrar R$ 23 mil com programa social no interior do TO
Fotos Reprodução/Governo Federal]

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) obteve uma vitória judicial estratégica na última sexta-feira, 6, com a anulação da venda de uma residência vinculada ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. A sentença determina que o imóvel retorne ao patrimônio do município de Talismã, após ficar comprovado o desvirtuamento do benefício social.

A ação foi conduzida pelo promotor de Justiça André Felipe Santos Coelho, da Promotoria de Alvorada. O MPTO sustentou que as unidades do programa possuem destinação exclusiva para moradia de famílias de baixa renda, sendo vedada a comercialização por um período determinado.

No caso específico de Talismã, a beneficiária original havia assinado um termo de compromisso que a obrigava a manter a residência sob sua posse para moradia familiar por, no mínimo, 10 anos. Entretanto, apenas quatro anos após a concessão, o imóvel foi vendido a terceiros pelo valor de R$ 23 mil.

Ao analisar o caso, o magistrado destacou o impacto negativo desse tipo de transação para as políticas públicas.“Tal conduta configura inequívoco desvirtuamento da finalidade da política pública habitacional, na medida em que transforma um benefício estatal destinado à promoção do direito social à moradia em instrumento de obtenção de vantagem patrimonial particular”.

Prazos de desocupação e responsabilidades financeiras

A decisão judicial estabelece um prazo de 30 dias para que a atual ocupante desocupe o imóvel voluntariamente. Caso o período expire sem o cumprimento da ordem, será executada uma ação de reintegração de posse em favor do município.

Quanto ao prejuízo financeiro da compradora, a Justiça esclareceu que o Poder Público não possui responsabilidade pelo ressarcimento:

  • Restituição de valores: A compradora deverá acionar judicialmente a beneficiária que realizou a venda irregular para tentar reaver os R$ 23 mil pagos;

  • Ônus municipal: A prefeitura de Talismã fica isenta de qualquer obrigação de indenizar a ocupante, uma vez que o contrato de compra e venda foi considerado nulo por ferir a lei.

Impacto na fila habitacional

A reincorporação do bem ao patrimônio municipal permite que a prefeitura destine a casa a uma nova família que preencha os requisitos do programa e que esteja aguardando na fila de espera por moradia digna.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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