Emprestar CPF para abrir empresa em nome de outra pessoa pode gerar dívidas e problemas financeiros ao titular, alerta Sebrae

Emprestar CPF para abrir empresa em nome de outra pessoa pode gerar dívidas e problemas financeiros ao titular, alerta Sebrae
Foto: Divulgação

 

Um favor feito a um companheiro, parente ou amigo pode acabar virando uma dor de cabeça financeira.

Colocar o próprio CPF para abrir uma empresa que será administrada por outra pessoa significa assumir responsabilidades que podem envolver tributos, contratos, movimentações financeiras e outras obrigações do negócio.

O alerta é do Sebrae Tocantins, que orienta quem recebe esse tipo de pedido a entender as consequências antes de vincular o próprio nome a uma empresa.

A situação costuma aparecer quando alguém tem restrições de crédito e pede a outra pessoa que use o próprio CPF para formalizar uma atividade.

A justificativa pode parecer simples, mas a pessoa que aparece formalmente ligada ao empreendimento passa a ter responsabilidades relacionadas à empresa, de acordo com a natureza jurídica escolhida.

Confiança não elimina responsabilidade

Para o gerente do Sebrae Tocantins, Amaggeldo Barbosa, abrir um CNPJ não significa apenas formalizar uma atividade.

“Emprestar o nome para uma empresa não é um gesto simples. Quando alguém aceita registrar um negócio em seu CPF, precisa compreender quais responsabilidades está assumindo e ter conhecimento sobre a gestão daquela empresa. Relações de confiança não eliminam os riscos de uma decisão empresarial”, explica.

O problema pode surgir quando quem colocou o nome no negócio não acompanha a administração.

Mesmo que outra pessoa seja responsável pela operação diária, a formalização cria obrigações para quem está registrado na empresa.

Estar negativado impede abrir empresa?

Não necessariamente.

No caso do Microempreendedor Individual (MEI), o Portal do Empreendedor informa que dívidas comerciais ou bancárias e restrições cadastrais não impedem a formalização.

A restrição, porém, pode dificultar posteriormente o acesso a crédito e a outros serviços financeiros.

Por isso, usar o CPF de outra pessoa apenas para contornar uma dificuldade de crédito pode transferir o problema para quem aceitou colocar o nome no negócio.

Risco também existe entre familiares

A prática pode ocorrer dentro de relações próximas. Companheiros, pais, filhos, irmãos e amigos podem aceitar abrir uma empresa em seu nome por acreditar que estão apenas ajudando alguém de confiança.

O Sebrae recomenda que, antes da formalização, a pessoa saiba por que o verdadeiro administrador não pode ou não pretende registrar o negócio no próprio nome.

“É comum que decisões desse tipo sejam tomadas com base na confiança. Mas empresa exige transparência, planejamento e conhecimento sobre aquilo que está sendo assumido. Se o negócio será conduzido por outra pessoa, é fundamental entender por que ela não pode ou não pretende formalizá-lo em seu próprio nome”, ressalta Amaggeldo.

Mulheres que abrem um CNPJ para que o companheiro conduza a atividade também devem acompanhar a movimentação da empresa e conhecer as obrigações vinculadas ao próprio nome.

Modelo da empresa faz diferença

A responsabilidade também depende do tipo empresarial escolhido.

No MEI e no empresário individual, é preciso atenção especial à relação entre a pessoa e o negócio. Informações do Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI) indicam que essas modalidades não possuem a mesma separação patrimonial existente em determinados outros tipos empresariais.

Antes de abrir a empresa, portanto, é importante entender a estrutura escolhida e quais responsabilidades ela estabelece.

Como evitar problemas

O Sebrae orienta que a decisão seja tomada antes da abertura do CNPJ, com informações sobre a atividade, o modelo empresarial e as obrigações envolvidas.

Também é importante acompanhar as finanças, contratos, tributos, fornecedores, trabalhadores e movimentações bancárias da empresa quando o CPF estiver formalmente vinculado ao negócio.

“Formalizar é um passo importante para quem quer empreender, mas precisa ser uma decisão consciente. O CNPJ deve representar uma atividade que a pessoa conhece e acompanha. Antes de colocar o próprio nome em um negócio, é preciso saber exatamente o que está sendo assumido”, reforça Amaggeldo Barbosa.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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