Servidora do Estado obtém na Justiça jornada reduzida sem perder salário para cuidar do filho com esquizofrenia

Servidora do TO ganha na Justiça redução da jornada de trabalho sem perder salário para cuidar do filho com esquizofrenia
Foto: Marcelo Les/Comunicação DPE-TO

 

Uma servidora pública estadual garantiu na Justiça o direito de reduzir sua jornada de trabalho em 50%, sem nenhum prejuízo ou corte em sua remuneração, para prestar assistência ao filho diagnosticado com esquizofrenia paranoide.

A decisão atende a um pedido da Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) e beneficia a profissional, que atua como auxiliar de enfermagem e é a curadora legal do dependente em Porto Nacional.

Com o entendimento do Judiciário, a servidora passa a cumprir uma carga horária de 3 horas diárias (totalizando 15 horas semanais), ficando totalmente dispensada da necessidade de compensação do banco de horas.

Na sentença, o magistrado concluiu que a jornada anterior de 6 horas diárias mantida pelo Estado limitava o atendimento e os cuidados permanentes que o jovem necessita.

Para garantir o direito, a Justiça aplicou por analogia a Lei Federal nº 8.112/1990 devido à omissão da legislação estadual sobre o tema, amparada no Tema 1.097 do Supremo Tribunal Federal (STF) e nos princípios constitucionais de proteção à pessoa com deficiência.

Condução do caso e validade da decisão

A redução da carga horária de trabalho permanecerá válida por tempo indeterminado, enquanto o filho da profissional necessitar de acompanhamento e cuidados diretos.

O Estado também fica impedido de exigir novas perícias médicas periódicas na servidora, abrindo exceção apenas caso ocorra alguma alteração formal no quadro clínico do dependente.

O Estado do Tocantins foi condenado ainda ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios.

O processo foi iniciado originalmente pelo defensor público Euler Nunes, que estava em substituição na comarca.

Posteriormente, a ação passou a ser conduzida pela defensora pública Kenia Martins Pimenta Fernandes, titular da 7ª Defensoria Pública da Fazenda Pública de Porto Nacional.

De acordo com a defensora Kenia Martins, a atuação técnica na fase de réplica à contestação foi fundamental para demonstrar a necessidade urgente da família e assegurar o veredito favorável.

“A atuação técnica da Defensoria Pública foi essencial para contrapor os argumentos do Estado e demonstrar que o direito à saúde e à dignidade da pessoa com deficiência deve prevalecer, garantindo que essa mãe possa exercer seu papel de cuidadora sem o temor de sofrer prejuízos financeiros”, destacou a defensora pública.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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