“Tribunal do crime”, ordens de morte e tráfico: operação mira facção suspeita de agir dentro e fora dos presídios no Tocantins

“Tribunal do crime”, ordens de morte e tráfico: operação mira facção suspeita de agir dentro e fora dos presídios no Tocantins
Foto: João Guilherme Lobasz/Governo do Tocantins

 

Uma investigação da Polícia Civil revelou suspeitas de que uma facção criminosa mantinha sua estrutura de comando ativa, mesmo com integrantes atrás das grades.

O grupo é investigado por envolvimento com tráfico de drogas, ataques violentos e cobranças ilegais de dívidas em Paraíso do Tocantins.

A apuração também identificou suspeitas de participação de familiares e companheiras de integrantes presos na execução de ordens criminosas.

Nesta quinta-feira, 29, a polícia realizou uma operação no Tocantins e em São Paulo para avançar nas investigações.

A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão. Em Paraíso do Tocantins, foram executadas quatro ordens de prisão e nove de busca. Em Cotia (SP), houve uma prisão e três buscas.

A ação foi conduzida pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC) de Paraíso. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

Comando mantido de dentro das celas

O caso começou a ser investigado em 2025, quando a Polícia Civil identificou indícios de comunicação clandestina entre integrantes presos e comparsas que estavam em liberdade.

Conforme a investigação, essa comunicação permitiria transmitir ordens e manter as atividades da organização em funcionamento.

Pessoas próximas aos integrantes encarcerados seriam responsáveis por receber e executar determinações, segundo os investigadores.

A estrutura suspeita também teria divisão de funções, com integrantes responsáveis pela articulação das decisões e outros encarregados de colocá-las em prática.

Suspeito teria influência sobre a facção

Entre os investigados está um homem de 35 anos que mora em Cotia, no interior paulista. A Polícia Civil aponta que ele teria ligação com setores da cúpula da organização identificados pelos nomes “Sintonia da Fora do Ar” e “Pé Quebrado”.

Segundo os investigadores, o suspeito teria influência sobre integrantes custodiados em Paraíso do Tocantins e em presídios de São Paulo.

Ele também é apontado como responsável por receber solicitações, autorizar ações e transmitir ordens a outros membros.

Punições incluíam agressões e ameaças de morte

A investigação identificou ainda um mecanismo interno de julgamento e punição conhecido como “tribunal do crime”.

O sistema seria utilizado pela facção para decidir sanções contra integrantes e outras pessoas acusadas de desobedecer às regras do grupo.

De acordo com a Polícia Civil, o investigado que mora em Cotia teria atuado nesse processo, analisando pedidos apresentados por membros presos e decidindo sobre as punições.

Entre as medidas relatadas estão ameaças, agressões físicas, chamadas de “madeirada” pelos próprios integrantes, e determinações de morte.

A operação busca aprofundar a apuração sobre a estrutura da facção, a atuação dos suspeitos e a participação de cada investigado nos crimes.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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