Justiça determina cotas permanentes para quilombolas em cursos de graduação e pós-graduação da Unitins

Justiça determina cotas permanentes para quilombolas em cursos de graduação e pós-graduação da Unitins
Foto: Divulgação

 

A Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) deverá incluir permanentemente a reserva de vagas para estudantes quilombolas nos processos seletivos de graduação e pós-graduação.

A determinação consta em sentença judicial publicada no dia 17, após uma ação do Ministério Público do Tocantins (MPTO).

A medida foi tomada depois que o Ministério Público identificou a ausência de cotas específicas para quilombolas no edital do Vestibular Unificado 2026/1 da universidade.

O órgão recomendou que a situação fosse corrigida, mas, como a irregularidade não foi resolvida inicialmente, recorreu à Justiça.

A Ação Civil Pública foi ajuizada pela 15ª Promotoria de Justiça da Capital. Segundo o promotor de Justiça Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira, responsável pelo caso, a reserva de vagas é uma ferramenta para ampliar as oportunidades de acesso ao ensino superior e enfrentar desigualdades históricas.

Para o Ministério Público, a inclusão de estudantes quilombolas precisa fazer parte das políticas permanentes de acesso à universidade pública, garantindo que esse público tenha condições de participar dos processos seletivos.

Unitins já previa cotas na pós-graduação

Ao analisar o caso, o magistrado destacou que a própria Unitins já prevê reserva de vagas para estudantes quilombolas em cursos de pós-graduação, conforme a Resolução Consuni nº 034/2024.

A ausência de uma política semelhante nos processos seletivos de graduação foi apontada na sentença como uma contradição na atuação institucional da universidade.

A decisão também ressaltou que a autonomia universitária não é absoluta e deve respeitar os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal, especialmente os princípios da igualdade e do acesso à educação.

Vestibular de 2026 teve inscrições prorrogadas

Antes da sentença, a Justiça havia concedido uma tutela de urgência para determinar mudanças no edital do Vestibular Unificado 2026/1.

A Unitins precisou retificar o documento, ampliar a divulgação das alterações e prorrogar as inscrições por 15 dias úteis, além de adequar o cronograma.

Posteriormente, a universidade informou que cumpriu as determinações judiciais.

Com a sentença, a reserva de vagas para estudantes quilombolas deverá ser incorporada de forma permanente aos processos seletivos de graduação e pós-graduação da Unitins.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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