AGU cobra 17 bets por gastos do SUS com tratamento de viciados em apostas e pede R$ 1 bilhão

AGU cobra 17 bets por gastos do SUS com tratamento de viciados em apostas e pede R$ 1 bilhão
Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

 

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou na Justiça contra 17 plataformas de apostas esportivas para cobrar os custos atribuídos ao Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de pessoas afetadas pelo vício em jogos.

A ação civil pública foi apresentada na Justiça Federal em Pernambuco nessa segunda-feira, 28, e também pede uma indenização mínima de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.

O órgão quer ainda que as empresas sejam obrigadas a restituir em dobro os valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia, condição associada ao comportamento compulsivo em jogos.

AGU aponta custos para o SUS

Na ação, a AGU sustenta que as despesas provocadas pelo tratamento dos problemas relacionados às apostas superam os valores arrecadados pelo governo com tributos pagos pelas empresas do setor. Segundo o órgão, as bets teriam repassado cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos.

A Advocacia-Geral argumenta que as plataformas obtêm os ganhos financeiros das apostas, enquanto parte dos custos decorrentes dos problemas associados ao jogo recai sobre o sistema público de saúde.

Outro argumento apresentado no processo é de que o funcionamento das plataformas favoreceria o aumento do tempo de permanência dos usuários e do volume de apostas.

Para a AGU, esses mecanismos podem contribuir para o desenvolvimento da dependência em parte dos apostadores.

Pedido envolve danos à saúde

A ação também relaciona o uso problemático de apostas a transtornos como ansiedade, depressão e transtorno do jogo.

A AGU cita ainda casos extremos de ideação suicida associados ao endividamento, dentro dos argumentos apresentados no processo.

A reparação de R$ 1 bilhão solicitada pela União é referente a danos morais coletivos. O valor ainda é um pedido feito pela AGU na ação, e não uma condenação judicial.

Setor questiona proibição das bets

A ação ocorre poucos dias depois de o governo federal publicar a Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país. A medida também alcança os jogos on-line.

Entidades que representam empresas do setor recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar derrubar a medida.

A AGU pediu prazo de 72 horas para se manifestar nas ações, que estão sob relatoria do ministro Luiz Fux.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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