O deputado federal e candidato ao governo do Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB), voltou a ser citado em uma reportagem nacional sobre a Operação Overclean.
O nome dele aparece entre os parlamentares investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso que apura suspeitas de corrupção, fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.
A informação foi publicada pelo UOL nesta segunda-feira, 17, em reportagem assinada por Natália Portinari e Fabio Serapião.
Além de Vicentinho, são mencionados os deputados Elmar Nascimento (União-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) e Dal Barreto (União-BA).
Investigação
Segundo o UOL, os parlamentares são investigados por possíveis irregularidades envolvendo recursos de emendas parlamentares.
A reportagem faz uma ressalva importante: nenhum dos quatro deputados foi indiciado nesta etapa da investigação.
A Polícia Federal indiciou 25 empresários e agentes públicos. Entre os nomes estão José Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo”, e os empresários Fábio e Alex Parente.
De acordo com a investigação, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos suspeitos de fraude e obras com possíveis sobrepreços.
Entre os órgãos públicos citados estão o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
A apuração envolve suspeitas de fraude em licitações, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e tentativa de interferência nas investigações.
O indiciamento feito pela PF ainda precisa ser analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá decidir pela apresentação ou não de denúncia à Justiça. Vicentinho Júnior não está entre os 25 indiciados.
Empresa da esposa
O deputado já havia sido citado em outra reportagem do UOL sobre a operação, publicada em dezembro de 2025.
Na ocasião, o portal informou que um relatório da Polícia Federal havia apontado movimentações de R$ 170 milhões em uma empresa registrada em nome da esposa de Vicentinho, Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira.
Segundo a publicação, a GMD Borba Distribuidora Eireli movimentou R$ 85 milhões em entradas e outros R$ 85 milhões em saídas entre janeiro de 2019 e abril de 2025.
Os investigadores levantaram a possibilidade de que a empresa fosse utilizada como uma espécie de conta de passagem. Uma planilha apreendida com Fábio e Alex Parente trazia o codinome “VIC” e registros que, segundo a PF, apresentavam coincidências de valores e datas com transferências destinadas à empresa.
A investigação também apontou que Vicentinho e a esposa teriam recebido R$ 420 mil dos empresários.
A PF pediu autorização judicial para realizar buscas e bloquear bens nesse valor, mas os pedidos foram negados pelo ministro Nunes Marques, relator do caso no STF.
Na decisão, o ministro considerou que não havia elementos suficientes para autorizar as medidas e apontou que a investigação não havia demonstrado a ligação entre os pagamentos feitos à empresa e as suspeitas de fraude em licitações. A PGR também se posicionou contra as buscas.
Contrato no Tocantins
A investigação também analisou um contrato firmado em 2020 entre o Governo do Tocantins e a Larclean Saúde Ambiental, empresa ligada aos irmãos Parente.
O acordo inicial, para prestação de serviços de dedetização, foi firmado no valor de R$ 13,6 milhões. Posteriormente, segundo a reportagem, foram acrescentados R$ 59,2 milhões por meio de aditivos.
A Polícia Federal identificou, segundo o UOL, indícios de direcionamento da licitação e apontou serviços contratados com preços que chegariam a 660% acima dos valores praticados no mercado.
Ainda conforme a publicação, entre 2023 e 2024, outra empresa ligada aos irmãos Parente teria transferido R$ 260 mil diretamente para a GMD Borba Distribuidora.
Deputado negou
Quando foi procurado pelo UOL para a reportagem publicada em dezembro, Vicentinho Júnior negou ter cometido irregularidades. O deputado afirmou que os pagamentos mencionados estavam relacionados a “rotinas da minha vida pessoal” e declarou já ter prestado esclarecimentos no processo.
Na reportagem publicada nesta segunda-feira, 17, não há uma nova manifestação específica do parlamentar.
Vicentinho Júnior permanece como investigado no caso. Até esta etapa da Operação Overclean, ele não foi indiciado pela Polícia Federal.




