Justiça bloqueia recursos do Estado para atender pacientes com câncer sem consultas há meses

Justiça bloqueia recursos do Estado para atender pacientes com câncer sem consultas há meses
Foto: Divulgação/MPTO

 

Uma decisão do Poder Judiciário determinou o bloqueio de verbas das contas do Estado do Tocantins para custear consultas na rede privada de saúde para pacientes com câncer.

A medida visa atender pessoas que aguardam por assistência em urologia oncológica na região de Araguaína e foi proferida no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO).

A intervenção ocorreu após ficar constatado que os atendimentos ambulatoriais na especialidade estão totalmente paralisados desde março deste ano devido à ausência de médicos especialistas na rede pública.

Ao fundamentar o pedido de urgência, a 5ª Promotoria de Justiça de Araguaína expôs que as tentativas administrativas anteriores não surtiram efeito e alertou para o risco iminente à vida dos usuários diante da interrupção do serviço.

O juízo acolheu parcialmente o requerimento, ordenando ações imediatas para salvaguardar os pacientes em situação de maior vulnerabilidade clínica.

A determinação judicial estipula que a gestão estadual identifique individualmente todos os pacientes moradores dos municípios de Araguaína, Aragominas, Carmolândia, Muricilândia, Nova Olinda e Santa Fé do Araguaia que estão na fila de espera por urologia oncológica há mais de 60 dias.

Esse período corresponde ao limite máximo estabelecido pela legislação federal para o início do tratamento de neoplasias malignas. Após o levantamento dos nomes e a cotação de preços no mercado particular, o Judiciário efetuará o bloqueio financeiro para pagar as consultas diretamente aos prestadores privados.

De acordo com os relatos da promotoria de Justiça, a suspensão integral das consultas desde março de 2026 e o consequente atraso nos diagnósticos configuram um cenário de extrema gravidade, visto que a rapidez na intervenção médica é determinante para o prognóstico do câncer.

O despacho judicial reforça que a permanência dessas pessoas na fila sem assistência médica pode acarretar em uma evolução negativa e irreversível do quadro de saúde dos pacientes.

Retrospectiva do processo estrutural

O impasse jurídico faz parte de uma ação de caráter estrutural que é acompanhada de perto pelo MPTO desde o ano de 2015, buscando a completa reorganização dos serviços urológicos prestados pelo Hospital Regional de Araguaína (HRA).

Em uma sentença anterior, exarada em dezembro de 2024, a Justiça já havia apontado falhas crônicas no fluxo de atendimento e exigido melhorias na rede. Contudo, vistorias e relatórios subsequentes demonstraram uma redução na oferta de consultas e o crescimento da lista de espera.

Estatísticas da fila de espera

Os indicadores consolidados e anexados aos autos do processo detalham a dimensão do déficit de atendimento na região:

  • Primeira consulta (Urologia Geral): 1.034 pacientes aguardando

  • Consultas de retorno (Urologia Geral): 834 pacientes aguardando

  • Primeira consulta (Área Oncológica): 187 pacientes aguardando

  • Procedimentos cirúrgicos eletivos: 61 pacientes aguardando

A decisão fixou um prazo de 15 dias úteis para que o Executivo estadual envie todos os dados técnicos e comprove o cumprimento das determinações necessárias para a execução do plano de atendimento.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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