Após ignorar lei ambiental por 13 anos, município do TO é intimado pela Justiça a arborizar cidade sob risco de multa

Após ignorar lei ambiental por 13 anos, município do TO é intimado pela Justiça a arborizar cidade sob risco de multa
Foto: Reprodução

 

Uma decisão judicial liminar, obtida pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), colocou a gestão municipal de Aliança do Tocantins sob pressão para resolver o problema histórico da falta de sombra e de planejamento ambiental.

A Justiça determinou que a prefeitura elabore, com urgência, um Plano Municipal de Arborização Urbana e apresente projetos específicos para o plantio de árvores no entorno de quatro escolas da cidade.

Caso a administração ignore os prazos estabelecidos, terá de arcar com multa diária de R$ 1 mil, podendo chegar ao teto de R$ 50 mil.

O embate jurídico revela que a cidade ignora suas próprias diretrizes há 13 anos. De acordo com a promotora de Justiça Maria Juliana Naves Dias do Carmo, o Plano Diretor de Aliança, aprovado ainda em 2011, já exigia a criação de uma estratégia de arborização.

Embora a prefeitura tenha alegado falta de recursos para justificar a inércia, a investigação da Promotoria de Justiça encontrou uma contradição nas contas públicas.

a Lei Municipal nº 660/2020 previa uma verba de R$ 30 mil destinada exclusivamente para este fim, montante que nunca foi aplicado pela gestão.

Diagnóstico crítico

O levantamento técnico apresentado pelo MPTO traça um cenário preocupante para a qualidade de vida dos moradores. Atualmente, o déficit de arborização urbana em Aliança ultrapassa os 67%.

O estudo aponta que, além da escassez de árvores, o que foi plantado carece de critérios técnicos. A cidade sofre com:

  • Falta de diversidade: A predominância da espécie “oiti” torna o ecossistema urbano vulnerável a pragas;

  • Barreiras arquitetônicas: Podas mal executadas e plantios irregulares obstruem calçadas, prejudicando a acessibilidade de pedestres e cadeirantes;

  • Desconforto térmico: A baixa permeabilidade do solo e a falta de copas dificultam a absorção de água pluvial e elevam as temperaturas nas vias públicas.

Próximos passos

A decisão, datada de 24 de abril, exige que o município saia da teoria e apresente soluções práticas para equilibrar o clima urbano e garantir o cumprimento das normas de biodiversidade e acessibilidade.

A arborização das unidades escolares é tratada como prioridade imediata dentro do cronograma imposto pela Justiça.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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