Festa de Iemanjá é incluída no calendário oficial do Tocantins; governo reforça combate à intolerância religiosa

Festa de Iemanjá é incluída no calendário oficial do Tocantins; governo reforça combate à intolerância religiosa
Foto: Paulo Gualberto/Governo do Tocantins

 

O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), formalizou a integração da Festa de Iemanjá ao cronograma oficial de eventos do estado a partir de 2026. O anúncio ocorreu no último sábado, 28, durante a terceira edição da festividade em Palmas, que reuniu comunidades de matriz africana para ritos de devoção nas águas do Rio Tocantins.

A inclusão é fruto de uma análise técnica realizada pela Secult ao longo de 2025 e representa um marco no reconhecimento das tradições afro-brasileiras como patrimônio vivo da identidade tocantinense.

A celebração na Praia da Graciosa foi o ponto alto do projeto “Águas de Iemanjá”, que promoveu, entre janeiro e fevereiro, uma série de painéis formativos, rodas de diálogo e oficinas voltadas à geração de renda para comunidades tradicionais.

O secretário de Estado da Cultura, Adolfo Bezerra, enfatizou que o apoio governamental vai além do evento religioso.“É um dia importante para saudar os povos e comunidades de matriz africana e reconhecer a herança africana que faz parte da identidade do Tocantins. A presença do Governo do Tocantins reafirma nosso compromisso com a diversidade cultural, a liberdade religiosa e o enfrentamento à intolerância. Valorizar a figura de Iemanjá, em um estado que conta com grandes rios, é também reconhecer a memória e a história afro-brasileira que formam o nosso povo”.

Fé e resistência nas águas do Tocantins

A programação teve início na madrugada de sábado, no terreiro Ilê Odé Oyá, no Jardim Aureny II. Após as cerimônias internas, os balaios com oferendas seguiram em carreata até a orla de Palmas. No local, o encontro de casas de Candomblé e Umbanda foi acompanhado por grupos de capoeira, atabaques e apresentações culturais.

Para o Babalorixá William Vieira de Oliveira, coordenador do projeto, a oficialização no calendário traz segurança e visibilidade. “É fundamental que a cultura do povo de terreiro, em Palmas e em todo o Tocantins, seja reconhecida e respeitada como questão de reparação e justiça social. O Presente de Iemanjá é um gesto de agradecimento ao Rio Tocantins por tudo o que dele retiramos e um pedido de saúde, fartura e preservação. O reconhecimento da festa no calendário cultural demonstra que o Estado valoriza essa tradição e contribui para que ela ocorra com mais estrutura e segurança para todos”.

Fortalecimento da identidade coletiva

A presença de diversos segmentos culturais reforçou o caráter plural da festa. Arnaldo Lopes Lima, o Mestre Matoso, destacou a relevância da união entre os praticantes.“Esse terceiro festejo para Iemanjá é muito importante, não só para Palmas, mas para o Tocantins, para o Brasil e para o mundo. É um momento de fortalecer a energia dos nossos orixás e de reunir lideranças religiosas, capoeiristas, simpatizantes e praticantes das religiões de matriz africana em Palmas, para fortalecer cada vez mais essa data especial”.

Com a inclusão no calendário oficial, a expectativa é que as próximas edições contem com maior suporte logístico e estrutural, consolidando o evento como um dos principais marcos da diversidade religiosa na região Norte.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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