A proximidade do período chuvoso fez a Secretaria Municipal de Saúde de Palmas (Semus) reforçar o alerta contra o Aedes aegypti, mesmo com os índices de infestação baixos durante a estiagem.
O mosquito transmissor da dengue não desaparece no período seco e os ovos deixados em recipientes podem permanecer viáveis por meses, mesmo sem água.
O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre 31 de agosto e 4 de setembro, apontou 0,2% de Índice de Infestação Predial (IIP) e 0,2% de Índice de Breteau (IB) em Palmas. Os dois indicadores são considerados baixos.
Segundo a Semus, o resultado pode estar relacionado à estiagem, que reduz a quantidade de água acumulada em locais como lixos, entulhos e sucatas.
Pequenos recipientes também viram criadouros
Para a bióloga Renata Braga, da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ), o período que antecede as chuvas exige atenção justamente porque o mosquito continua no ambiente.
“Esse período, que precede à estação chuvosa, merece atenção especial porque, mesmo com a redução dos casos de dengue, o Aedes aegypti continua presente no ambiente”, explica.
Os ovos deixados pelas fêmeas podem permanecer viáveis por meses. Quando entram em contato com água, o ciclo recomeça.
A associação entre mosquito e chuva também pode fazer com que alguns criadouros passem despercebidos. Tampinhas de garrafa, brinquedos esquecidos no quintal, bebedouros de animais, bandejas de geladeira, ralos pouco utilizados, calhas e lonas estão entre os locais que podem acumular água.
“O que pega muita gente desprevenida é justamente a ideia de que, sem chuva, não há mosquito. E basta uma pequena quantidade de água acumulada para permitir a continuidade do ciclo do vetor”, afirma Renata.
Uma semana pode ser suficiente
Em condições favoráveis, o desenvolvimento do mosquito, do ovo até a fase adulta, pode ocorrer em sete a dez dias.
Por isso, a Semus recomenda que os moradores façam uma vistoria nas próprias casas pelo menos uma vez por semana.
A frequência ajuda a encontrar os criadouros antes que o mosquito complete o desenvolvimento. Segundo a bióloga, o período anterior à fase adulta é o momento mais fácil para interromper o ciclo.
“É o período em que o mosquito ainda está restrito ao recipiente onde se desenvolve, o que facilita a identificação e a adoção de medidas para impedir que chegue à fase adulta.”
A Semus também reforça a importância de permitir a entrada dos agentes de combate às endemias durante as visitas domiciliares.
Onde estão os focos
Dados de vistorias e de ovitrampas, utilizadas para monitorar a presença de ovos do Aedes aegypti, mostram que os depósitos móveis estão entre os principais pontos de atenção.
Bebedouros de animais, pratos de vasos de plantas e garrafas retornáveis correspondem a 46,7% dos recipientes com presença de larvas. Depósitos fixos, como calhas e ralos, representam 33,3%.
Na atual estratificação de risco, localidades da região sul de Palmas concentram a maior necessidade de atenção.
Larvas foram encontradas em condomínio
Uma vistoria em um edifício da região central de Palmas mostrou que o problema pode estar dentro de áreas residenciais mesmo durante a estiagem.
Uma equipe da Semus encontrou larvas e pupas na rede de drenagem da área de lazer do condomínio.
A equipe era formada pelo supervisor Adalberto Soares Mota e pelos agentes de combate às endemias Alessandra Cardoso Araújo, Monnaliza Pereira Fernandes e Charlles Ribeiro.
Durante a ação, Adalberto orientou a representante do condomínio sobre a limpeza do local. Ele também explicou que, quando o mosquito chega à fase de pupa, o larvicida deixa de ser eficaz.
“Quando a larva evolui para pupa, ela não se alimenta mais e não vai comer o larvicida, então ela não morre mais com o larvicida. É necessário fazer a limpeza e eliminar as pupas.”
Como evitar os criadouros
A orientação da Semus é retirar a água e eliminar fisicamente os locais onde o mosquito pode se desenvolver. A recomendação vale para recipientes dentro e fora das casas.
Baldes, tambores e caixas-d’água usados para armazenar água durante a estiagem devem permanecer bem vedados. Objetos que ainda serão utilizados precisam ficar protegidos da chuva.
Quem encontrar um criadouro deve eliminar o foco, limpar o recipiente e fazer o descarte correto quando o objeto não tiver mais utilidade.
Moradores que tiverem dúvidas ou precisarem solicitar uma visita podem procurar a Vigilância em Saúde de Palmas pelo telefone (63) 3212-7917.





