Justiça suspende bloqueio de dinheiro e leilão de bens de luxo da influenciadora Karol Digital

Justiça suspende bloqueio de dinheiro e leilão de bens da influenciadora Karol Digital
Foto: Reprodução Instagram Karol Digital/Divulgação Polícia Civil

 

Uma decisão da Justiça do Tocantins interrompeu o bloqueio de valores e o leilão de bens de luxo ligados à influenciadora digital Maria Karollyny Campos Ferreira, conhecida como Karol Digital. Ela é investigada por suspeita de envolvimento em um esquema de jogos ilegais, lavagem de dinheiro e organização criminosa, que teria movimentado cerca de R$ 217 milhões.

A suspensão foi determinada pelo juiz Carlos Roberto de Sousa Dutra, da 1ª Vara Criminal de Araguaína, após o recebimento de um recurso de apelação apresentado pela defesa da influenciadora. Com isso, ficam temporariamente suspensos tanto o bloqueio de valores quanto a autorização para a venda antecipada dos bens, medida que havia sido autorizada na última sexta-feira, 12.

No despacho, o magistrado explicou que a decisão se baseia no efeito suspensivo do recurso apresentado. “Recebo o recurso de apelação interposto em seu duplo efeito (art. 597, CPP). Considerando o efeito suspensivo do recurso, cancele-se a solicitação de bloqueio de valores ao SISBAJUD”, diz o magistrado.

Com o efeito suspensivo, a decisão anterior não produz efeitos imediatos até que o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) analise o recurso. Assim, os bens permanecem apreendidos e sob custódia do Estado. Procurada, a defesa de Karol Digital informou que não irá comentar a decisão.

Leilão havia sido autorizado para evitar desvalorização

A autorização para o leilão dos bens ocorreu no contexto da Operação Fraus, conduzida pela Polícia Civil do Tocantins, por meio da 1ª Delegacia Especializada em Investigações Criminais (DEIC) de Palmas. Na ocasião, o Judiciário aceitou o argumento de que a venda antecipada seria necessária para evitar danos, desgaste e perda de valor dos bens apreendidos.

Relatórios alertaram para risco de prejuízo

Relatórios técnicos do Núcleo de Recuperação de Ativos (NURAT) apontaram que a permanência prolongada dos bens sob responsabilidade estatal poderia gerar prejuízo ao interesse público, especialmente no caso de veículos de luxo e outros ativos de alto valor.

Segundo a Polícia Civil, a alienação antecipada visava “evitar a deterioração e a desvalorização do patrimônio apreendido”, garantindo a preservação do resultado do processo penal.

Veículos de luxo seguem apreendidos

Entre os bens que haviam sido autorizados para leilão estão uma McLaren Artura 2023, avaliada em cerca de R$ 2,3 milhões, um Porsche estimado em R$ 979 mil, além de duas caminhonetes e uma BMW blindada. Todos seguem apreendidos até nova decisão judicial.

Investigação aponta movimentação milionária

Karol Digital é investigada por suposto envolvimento com plataformas ilegais de apostas e jogos de azar. De acordo com a Polícia Civil, ela teria movimentado aproximadamente R$ 217,6 milhões entre 2019 e 2024, utilizando 30 contas bancárias em 13 instituições financeiras. Somente em contas pessoais, os depósitos teriam ultrapassado R$ 37 milhões, com indícios de origem ilícita.

Imóveis, fazenda e mansão estão entre os bens apreendidos

Durante a operação, as autoridades apreenderam sete veículos de luxo e sete imóveis, incluindo a chamada “Mansão da Digital”, usada para gravação de conteúdos. Também foi apreendida uma fazenda avaliada em R$ 8 milhões, com criação de gado e cavalos.

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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