O setor mineral do Tocantins vive um ciclo de expansão acelerada, consolidando-se como um pilar estratégico para o PIB estadual. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) revelam que a atividade movimentou R$ 2 bilhões em 2025, impulsionada por uma cesta diversificada que inclui desde metais preciosos, como ouro e esmeraldas, até insumos fundamentais para o agronegócio e a construção civil, como calcário e fosfato.
A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) acompanhou o crescimento, saltando de R$ 30,28 milhões em 2024 para R$ 35,42 milhões em 2025 uma alta de 17%.
Atualmente, 117 empresas operam no estado, gerando mais de 4 mil empregos diretos e com uma projeção de investimentos de R$ 4 bilhões até 2027.
Para sustentar esse crescimento de forma organizada, o Governo do Tocantins instituiu o Grupo de Trabalho Interinstitucional de Desenvolvimento Mineral (GT Minerato). Coordenado pela Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços (Sics), o grupo integra diversos órgãos ambientais, fazendários e jurídicos para desburocratizar processos e atrair investidores.
O governador Wanderlei Barbosa enfatizou que a prioridade é a estruturação de um ambiente de negócios confiável.“O Tocantins tem um grande potencial mineral e o objetivo do nosso governo é criar as condições para que esse setor se desenvolva de forma organizada, com segurança jurídica e geração de oportunidades para a população. A criação do grupo de trabalho, por exemplo, e o investimento em qualificação profissional demonstram o compromisso em estruturar a mineração para o desenvolvimento econômico”.
Ouro lidera pauta de exportações
No comércio exterior, o ouro reafirma sua posição como o principal ativo mineral tocantinense. Somente no primeiro bimestre de 2025, o estado exportou 374 kg do metal, faturando mais de US$ 30,7 milhões.
Ao longo do ano, o ouro representou 6,5% do total das vendas externas do estado, alcançando a marca de 1,9 tonelada exportada.
Essa riqueza reflete diretamente nos cofres dos municípios. Almas lidera o ranking de arrecadação da CFEM no estado (R$ 15,8 milhões), seguida por Bandeirantes (R$ 5,79 milhões) e Xambioá (R$ 3,40 milhões).
Formação profissional e novos projetos
A demanda por técnicos qualificados levou o Estado a lançar, em parceria com o IFTO, o primeiro curso técnico em mineração, com 420 vagas distribuídas em 14 cidades. O foco é preparar a população local para os grandes empreendimentos que estão por vir, como o Projeto Monte do Carmo, da Hochschild Mining. Com um aporte de US$ 250 milhões, a expectativa é a criação de 2 mil novos postos de trabalho na região central.
O secretário da Sics, Milton Neris, destacou a importância do planejamento. “O Tocantins vive um momento estratégico para consolidar o setor mineral como uma alavanca de desenvolvimento regional. Estamos estruturando uma agenda que combina planejamento, previsibilidade e segurança jurídica, para que a mineração avance com responsabilidade socioambiental e gere resultados concretos para a população”.
Município de Almas
No sudeste tocantinense, o município de Almas já colhe os frutos da operação da Aura Minerals. Além da movimentação econômica, a parceria entre o setor privado e a educação pública tem transformado a realidade de jovens.
A diretora da Escola Estadual Girassol de Tempo Integral Agropecuário, Luciana Castro de Andrade, observa o aumento do engajamento estudantil.“Aumentou a busca por empregos, capacitação e informações sobre o setor. O curso tem duração de três anos, em que os alunos têm aulas teóricas e práticas; visitas técnicas à mineradora; e palestras com profissionais da área e atividades em laboratório, o que é muito importante para a qualificação local e as oportunidades de empregos”.






