Relatos de uma possível presença de onça-parda e de ataques a animais domésticos mobilizaram uma equipe do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) na zona rural de Palmas.
A fiscalização ocorreu em duas propriedades do Loteamento Coqueirinho, após moradores comunicarem o desaparecimento e a morte de animais na região.
A vistoria foi solicitada pela Associação dos Pequenos Agricultores do Loteamento Coqueirinho (Apalco), que informou ao órgão ambiental sobre o avistamento de um felino nas proximidades de uma chácara e possíveis ataques a criações.
Em uma das propriedades, um boletim de ocorrência registra a morte de ovinos. Os moradores relataram que os episódios teriam ocorrido inclusive dentro de um aprisco fechado, estrutura utilizada para proteger os animais.
A inspeção foi realizada em 30 de outubro. Durante a visita, os técnicos avaliaram vestígios encontrados nas propriedades e vídeos apresentados pelos moradores.
No entanto, nenhum dos materiais foi considerado evidência suficiente para confirmar ataques provocados por onça-parda ou outro felino silvestre.
A diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Naturatins, Perla Ribeiro, afirmou que, apesar dos relatos de avistamento, a equipe não encontrou elementos que comprovem a participação de animais silvestres nas ocorrências.
O órgão informou que continuará acompanhando a situação e orientou os moradores a verificar a autenticidade de imagens compartilhadas nas redes sociais.
Segundo a diretora, alguns conteúdos que circulam na internet simulam ataques de onças e podem ter sido produzidos com inteligência artificial.
Alimentos podem atrair animais silvestres
Outro ponto observado durante a visita foi o hábito de moradores de oferecer ração a animais abandonados na região.
Segundo os relatos, cães e outros animais seriam deixados frequentemente na estrada de acesso ao loteamento.
A bióloga do Naturatins, Maria de Fátima Ribeiro, alertou que a oferta de alimentos pode atrair a fauna silvestre para perto das propriedades. Animais domésticos debilitados também podem ficar mais vulneráveis a predadores.
A recomendação é não deixar ração exposta, restos de comida ou carcaças nos terrenos, além de evitar qualquer tentativa de alimentar animais silvestres.
Como proteger os animais
Para reduzir o risco de aproximação de predadores, o Naturatins recomenda que os produtores reforcem a proteção dos locais onde mantêm suas criações.
Entre as medidas indicadas estão:
- Instalação de cercas elétricas;
- Construção de abrigos com telas de malha grossa e estrutura resistente;
- Dobramento de aproximadamente 45 centímetros da tela para fora, junto ao solo, para dificultar a entrada de predadores;
- Manutenção dos abrigos fechados durante a noite;
- Instalação de refletores com sensores de presença;
- Limpeza dos quintais e retirada de restos de alimentos e ossadas.
O órgão também orienta que crianças sejam acompanhadas nas áreas externas e que cães não permaneçam soltos nas propriedades.
O que fazer ao encontrar uma onça
Caso encontrem um animal silvestre, os moradores devem manter a distância, evitar movimentos bruscos e não tentar tocar, perseguir ou capturar o animal.
O Naturatins lembra que a fauna silvestre é protegida por lei. Matar, caçar ou perseguir animais dessa natureza configura crime ambiental, sujeito a detenção de seis meses a um ano e multa, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998.
Se os episódios persistirem, mesmo após a adoção das medidas preventivas, os moradores podem comunicar o órgão pelos e-mails [email protected] e [email protected].
Até o momento, não há confirmação técnica de que uma onça-parda esteja atacando animais domésticos nas propriedades vistoriadas.





