Araguatins tem 702 servidores temporários, e aprovados em concurso seguem sem nomeação; MP cobra prefeitura

Araguatins tem 702 servidores temporários, e aprovados em concurso seguem sem nomeação; MP cobra prefeitura
Foto: Divulgação/ Instagram @governodearaguatins

 

A Prefeitura de Araguatins mantém 702 servidores contratados temporariamente, enquanto candidatos aprovados no concurso público de 2023 aguardam nomeação.

Os dados são de setembro de 2026 e apontam que 61,4% do quadro de pessoal informado pelo município é formado por temporários.

Diante da situação, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) recomendou a convocação e nomeação dos aprovados.

Além das nomeações, a Prefeitura foi orientada a apresentar um cronograma para encerrar contratos temporários em funções correspondentes aos cargos efetivos previstos no concurso.

O documento deverá informar quais contratos serão encerrados, os prazos e as medidas para substituir esses profissionais pelos candidatos aprovados e habilitados.

Os números apresentados pelo município incluem 425 servidores efetivos ou concursados e 16 pensionistas, totalizando 1.143 vínculos.

Temporários ocupam funções previstas no concurso

A investigação da 2ª Promotoria de Justiça de Araguatins começou após uma manifestação encaminhada à Ouvidoria do MPTO e uma reunião com candidatos aprovados.

Eles relataram a falta de nomeações e a permanência de contratos temporários para funções também oferecidas no concurso nº 01/2023.

Um dos casos apontados é o de auxiliar de serviços gerais: o edital previa 30 vagas, mas a Prefeitura informou ter 138 temporários desempenhando essa função.

A diferença também aparece em outros cargos:

Assistente administrativo: 59 temporários para 12 vagas previstas;

Vigilante: 50 temporários para 14 vagas;

Assistente de aluno: 52 temporários para 10 vagas;

Monitor de aluno: 29 temporários para 10 vagas.

Na área da saúde, o município informou 36 enfermeiros temporários, embora o concurso previsse oito vagas para o cargo.

O mesmo cenário foi identificado entre técnicos em enfermagem: são 35 temporários para oito vagas previstas no edital.

O levantamento do MPTO também identificou 43 vagas desocupadas nos cargos de gari, eletricista, monitor de aluno, assistente de aluno, técnico em contabilidade e nutricionista.

Segundo a Promotoria, as informações fornecidas pela Prefeitura não permitiram esclarecer a totalidade das vagas existentes nos demais setores da administração.

MP aponta falta de informações

Durante a apuração, o Ministério Público solicitou dados sobre o quadro de pessoal, as contratações temporárias, os cargos vagos e o cronograma de nomeação dos aprovados.

A resposta da Prefeitura foi considerada incompleta. Entre as informações que não foram apresentadas estavam o histórico detalhado das convocações e nomeações e o número de candidatos que efetivamente tomaram posse e começaram a trabalhar em cada cargo.

O MPTO também apontou a falta de justificativas individualizadas para a manutenção das contratações temporárias durante a validade do concurso público.

Prefeitura tem 15 dias para responder

A recomendação orienta o município a não realizar novas contratações temporárias nem prorrogar contratos para as funções correspondentes enquanto houver candidatos aprovados aguardando convocação.

A orientação prevê exceções para situações previstas em lei, desde que devidamente justificadas e sem preterição dos concursados.

A Prefeitura de Araguatins tem 15 dias para informar ao MPTO quais providências adotou e apresentar documentos comprobatórios.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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