TCE-TO dá 15 dias para prefeito explicar de onde virão os recursos e como funcionará a moeda social Pequi

TCE-TO dá 15 dias para prefeito explicar de onde virão os recursos e como funcionará a moeda social Pequi
Foto: Divulgação

 

O Tribunal de Contas do Tocantins (TCE-TO) deu prazo de 15 dias para o prefeito de Pequizeiro, Jocélio Nobre, apresentar documentos e explicar como a moeda social Pequi será criada e colocada em circulação no município.

A intimação foi expedida nessa terça-feira, 6, pelo conselheiro Manoel Pires dos Santos, relator do Procedimento Apuratório Preliminar (PAP) nº 7547/2026.

A Corte quer identificar a base legal da iniciativa, a previsão orçamentária e a origem dos recursos que serão usados no programa.

Também deverão ser esclarecidas as regras para emissão, circulação, conversão e resgate da moeda, além de eventual concessão de crédito ou pagamento de bônus.

Documentos serão analisados pelo Tribunal

A apuração começou a partir de uma comunicação anônima. Na análise inicial, a área técnica do TCE consultou dados do Sicap, o Quadro de Detalhamento da Despesa (QDD) e documentos da execução orçamentária de Pequizeiro.

Não foi localizada, nesses registros, uma ação orçamentária com referência expressa à Pequi nem uma despesa diretamente vinculada ao programa.

O próprio Tribunal ressalta que esse fato, isoladamente, não permite afirmar que a iniciativa esteja sem cobertura orçamentária.

O orçamento municipal passou por alterações durante o exercício, motivo pelo qual o relator determinou que a prefeitura apresente a documentação necessária para esclarecer como a moeda será financiada.

Entre os documentos solicitados estão a lei, decreto ou outro ato que tenha criado ou autorizado a Pequi, o processo administrativo de elaboração do programa, estudos técnicos ou de viabilidade e os registros relacionados ao PPA, à LDO e à LOA.

TCE também quer detalhes sobre empréstimos e bônus

A prefeitura deverá informar ainda o valor e a fonte dos recursos destinados ao programa, além de apresentar contratos, convênios ou outros instrumentos eventualmente firmados para viabilizar a moeda social.

Se houver previsão de empréstimos, concessão de crédito ou pagamento de bônus, o município terá de explicar quais serão os critérios para definir os beneficiários e de onde sairão os recursos.

O Tribunal também pediu informações sobre os mecanismos de fiscalização, controle e prestação de contas.

Até o momento, segundo o despacho, os documentos analisados não permitem apontar dano ao erário, desvio de recursos, operação financeira irregular ou outra irregularidade específica.

O TCE também informou não haver documentação suficiente para confirmar, nesta etapa, informações sobre empréstimos, pagamento de bônus ou a existência de uma instituição financeira municipal ligada ao programa.

Apuração ainda está em fase preliminar

Para o relator, a documentação reunida até agora não esclarece de forma suficiente a base jurídica da moeda, sua forma de execução nem o suporte orçamentário e financeiro da iniciativa.

O procedimento ainda está em fase preliminar e poderá ser convertido em representação caso as inconsistências permaneçam ou sejam identificadas novas irregularidades.

A Prefeitura de Pequizeiro anunciou a moeda social Pequi com valor equivalente ao real e previsão de circulação no comércio local.

 

Foto de Flávia Ferreira
Flávia Ferreira
Flávia Ferreira exerceu diversas funções no campo da comunicação ao longo de sua trajetória profissional. Iniciou como arquivista de texto e imagem evoluindo para a posição de locutora de rádio. Ao longo do tempo, expandiu a atuação para a área de assessoria de comunicação, desempenhando papéis importantes em órgãos como a Secretaria da Comunicação (Secom), Detran e a Secretaria da Administração (Secad), no Tocantins. Flávia Ferreira é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins - UFT
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